EFENova York

A Uber definiu nesta quinta-feira o preço de US$ 45 para cada uma das 207 milhões de ações com as quais promoverá sua abertura da capital nesta sexta-feira em Wall Street, o que lhe permitirá captar cerca de US$ 9,315 bilhões com base em uma capitalização de US$ 80 bilhões.

O preço definido é US$ 10 mais barato que a estimativa mais otimista que a empresa fez diante da Comissão de Mercados e Valores (SEC), quando esperava oferecer 180 milhões de ações, com opção de outras 27 milhões, por US$ 55 cada uma.

Essa mudança de critério da Uber se deve às tensões comerciais dos Estados Unidos com a China e com a estreia ruim na bolsa da sua rival Lyft.

A expectativa em torno da estreia da Uber no pregão nova-iorquino foi perdendo fôlego desde a divulgação oficial dos documentos para sua chegada à bolsa no mês passado, primeiro rebaixando o patamar inicial até um máximo de US$ 50 e agora situando o preço de saída em US$ 45, na parte baixa da categoria.

Se em uma rodada de investimentos privados prévios a Uber tinha conseguido uma avaliação de cerca de US$ 120 bilhões, a estreia ruim da Lyft - que perdeu mais de 23% do seu valor desde então - fez com que a empresa reduzisse suas expectativas até aspirar uma avaliação de US$ 100 bilhões.

No entanto, a escalada nas tensões comerciais entre China e Estados Unidos, com seu consequente impacto nos mercados, fez com que a Uber optasse por diminuir as expectativas até cerca de US$ 80 bilhões.

A Uber registrou em 2018 um faturamento de US$ 11,27 bilhões com um lucro líquido de US$ 997 milhões.

No entanto, o resultado de exploração ajustado, que inclui os custos de desvalorização e de amortização, foi negativo (- US$ 1,85 bilhão), o que parece não jogar a favor da companhia.

Além do seu ramo de transporte de pessoas, a Uber também conta com uma divisão de delivery de comida (Uber Eats) e outra de logística industrial que inclui transporte de mercadorias (Uber Freight).

No seu folheto para a abertura de capital, a Uber tenta chamar atenção para as perspectivas de crescimento do seu negócio, já que assegura contar com cerca de quatro milhões de motoristas no mundo todo que fazem 17 milhões de viagens diárias.

No entanto, e apesar de estar presente em 63 países e 700 cidades, os responsáveis asseguram ter chegado a apenas 2% da população total dos locais onde opera, o que indica uma ampla margem de crescimento.