EFEBruxelas

A Comissão Europeia (CE) pediu nesta quarta-feira que os países do bloco reduzam o consumo de gás em 15% a partir de 1º de agosto e até 1º de abril de 2023 com medidas de economia em residências, empresas e no setor público, como preparação para um possível corte no abastecimento por parte da Rússia no contexto da guerra na Ucrânia.

O plano, chamado "Economize Gás para um Inverno Seguro", pede aos governos europeus que lancem campanhas para economia no uso de calefação por parte de consumidores domésticos ou de empresas e deem incentivos para que a indústria utilize combustíveis alternativos sempre que possível, entre outras medidas.

Essas ações devem ajudar a atingir a meta de uma redução de 15% em comparação com o consumo médio durante o mesmo período nos últimos cinco anos.

Entretanto, o regulamento proposto pelo órgão executivo da União Europeia (UE) prevê a possibilidade de imposição de metas para reduzir o consumo de gás se for declarado um "alerta" sobre a segurança do abastecimento em toda a área do bloco, o que ocorreria quando for detectado um risco sério de escassez ou uma demanda de gás excepcionalmente alta.

O plano de contingência foi divulgado em um período em que o fluxo de gás russo para a UE já diminuiu 30% em comparação com a média de 2016-2021, em parte devido a ações consideradas pelo bloco "injustificadas" e "unilaterais" da empresa Gazprom e que interromperam total ou parcialmente o fornecimento para 12 países.

"A recente escalada das interrupções no fornecimento de gás da Rússia aponta para um risco significativo de que uma interrupção completa e prolongada no fornecimento de gás russo possa se materializar de forma abrupta e unilateral", disse a Comissão Europeia.

Uma ação no atual momento, ainda segundo a Comissão, reduziria o impacto de uma queda no PIB europeu em pelo menos um terço, tranquilizando os mercados e suavizando a volatilidade dos preços.

Com a redução de 15% em mente, a UE elaborou um Plano de Redução da Demanda de Gás que se concentra na substituição do gás por outras fontes de energia, reduzindo o consumo em todos os setores e assegurando ao mesmo tempo que o abastecimento seja garantido aos lares e usuários essenciais, como hospitais e indústrias indispensáveis para a economia europeia.

A UE pediu que seja dada prioridade às energias renováveis, mas reconheceu que pode ser necessário recorrer ao carvão, ao petróleo ou à energia nuclear "como uma medida temporária", algo que alguns países já fizeram.

O regulamento e o plano de redução do consumo terão agora que ser discutidos e aprovados pelos países membros. EFE