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Em vez de construir um "muro" para proteger os pagamentos digitais, a Visa procura investir na "desvalorização" dos dados sobre estas transações até torná-las insignificantes para a poderosa indústria da fraude, disse Ellen Richey, chefe global de Risco da multinacional, à Agência Efe.

"Desvalorizar" a informação de cada pagamento eletrônico é uma das estratégias da companhia que contribuiu para manter baixa a taxa de risco de fraude, "de menos de 10 centavos por cada transação de 100 dólares" nos últimos 15 anos, afirmou Richey, vice-presidente e diretora de Risco da Visa.

"A resposta é que não há muro, porque por trás do muro tudo está desvalorizado. Não há nada a proteger. Essa é a beleza disso", declarou Richey em Miami, sede da Cúpula de Segurança da Visa 2019: Segurança. Inovação. Confiança, que termina nesta quinta-feira.

"Para que os dados de pagamento passem por tantos lugares, temos que desvalorizá-los", enfatizou.

Além da desvalorização das informações, Richey afirmou que a Visa avança em outras frentes, como na "tokenização" e no uso da biometria para "poder identificar a pessoa".

A direção da empresa de pagamentos explicou que o "token" tem uma "filosofia similar" ao chip, cujo microprocessador envia um único código em cada transação.

Isso significa, de acordo com ela, que uma pessoa não pode fazer uma transação só com o número do cartão, há também "uma mensagem criptográfica" e uma situação particular.

O token pode ser usado "em um entorno particular, um dispositivo particular ou um site particular, ou seja, é um formulário autorizado", explicou.

"Nestes casos, se os dados forem roubados, não poderão ser reutilizados para que sejam cometidas fraudes", ressaltou.

Além disso, é feita a utilização das informações sobre o "comportamento" dos usuários de pagamentos digitais com "tipos de padrões cada vez mais sofisticados".

Este é o caso dos produtos que são consumidos, os lugares de destino e os dispositivos utilizados, o que permite detectar e bloquear a tempo quando as transações fogem do normal.

A ideia, de acordo com Richey, é "utilizar as soluções de dados, provavelmente uma máquina de aprendizagem ou inteligência artificial para validar as transações". Trata-se de "monitorar comportamentos incomuns e suspeitos".

A vice-presidente de Risco da Visa disse que a intenção não é só "manter baixa a taxa de fraude", mas também trabalhar com os bancos, comerciantes, processadores, empresas tecnológicas do setor financeiro (fintech) e "todos os envolvidos em pagamentos digitais para reduzi-las ainda mais".

Richey disse que o risco de fraudes se tornará maior com as revoluções industriais, "que cada vez chegam mais rápido", e com a atual, a digital, que diversifica as formas de pagamento com variedade de dispositivos, que incluem telefones, relógios e anéis, entre outros.

Sobre o próximo ataque a esses sistemas de pagamento, Richey explicou que há vários tipos, mas destacou "o ataque de força bruta".

De acordo com a executiva, como o sistema do chip está tendo êxito em evitar o roubo de informações nos Estados Unidos, onde as fraudes estão diminuindo, as organizações criminosas "estão tentando adivinhar os dados", e o farão de forma automatizada, com "centenas de milhares, talvez milhões de testes para poder realmente adivinhar o número de conta, a data de vencimento e o código de três dígitos" de segurança.

Trata-se de "operações criminosas em grande escala", frisou.

A indústria da fraude "está roubando dezenas de bilhões de dólares por ano", entre elas no sistema de transações digitais, que tem 54 milhões de postos de pagamento.

"(O crime eletrônico) é uma indústria de 600 bilhões de dólares anuais", acrescentou Richey, baseando-se em dados da McAfee, companhia especializada em segurança contra estas ações fraudulentas.

"Com a explosão da conectividade, há muito mais oportunidades para os vigaristas", finalizou.