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As seringas e agulhas ocas são utilizadas para administrar remédios há mais de 150 anos e, agora, uma equipe de cientistas desenvolveu um injetor inteligente que ajusta sua administração em regiões delicadas do corpo, como o espaço supracoroidal na parte posterior do olho.

A descrição deste novo modelo foi publicada na revista especializada "Nature Biomedical Engineering" em artigo liderado por pesquisadores do Hospital Brigham and Women's de Boston, nos Estados Unidos.

Concretamente, os pesquisadores testaram em animais um injetor inteligente de alta sensibilidade para a focalização tissular - chamado i2T2 -, capaz de detectar mudanças na resistência dos tecidos a fim de administrar remédios de forma adequada e segura.

A injeção é utilizada para a administração de tratamentos para a retina, degeneração macular úmida e na retinopatia diabética, segundo fontes científicas consultadas pela Agência Efe.

Em uma nota de imprensa, o citado hospital lembra que, embora as seringas sejam usadas há mais de um século, sua correta utilização depende de quem aplica e pode ser difícil administrar medicamentos em regiões delicadas do corpo, como nos olhos.

"Atingir tecidos específicos usando uma agulha convencional pode ser difícil e frequentemente requer a destreza de um indivíduo altamente treinado", disse Jeff Karp, líder do estudo.

Segundo Karp, no último século houve "uma inovação mínima" em relação às agulhas, por isso os pesquisadores viram que havia "uma oportunidade para desenvolver dispositivos melhores e mais precisos".

"Procuramos melhorar a orientação ao mesmo tempo em que mantivemos o desenho o mais simples possível para facilitar o seu uso", afirmou Karp.

A camada coroidal é a camada média do olho, está cheia de vasos sanguíneos e também é dividida em várias camadas. Um desses espaços é o supracoroidal, uma parte difícil de localizar com uma agulha padrão, segundo os autores da pesquisa.

Além disso, o espaço supracoroidal (SCS) tornou-se um local importante para a administração de medicamentos e é difícil alcançá-lo porque a agulha deve deter-se depois da transição através da esclerótica, outra parte do olho que tem menos de um milímetro de espessura, e deve ser assim para evitar danos na retina.

O dispositivo i2T2 foi fabricado utilizando uma agulha hipodérmica padrão e peças de seringas disponíveis no mercado.

Os tecidos corporais têm densidades diferentes e o injetor inteligente aproveita as diferenças de pressão para permitir o movimento da agulha em direção ao tecido pretendido.

A nova seringa foi testada em tecidos de três modelos animais para examinar a precisão da administração nos espaços supracoroidal, epidural e peritoneal, assim como de forma subcutânea.

Os pesquisadores também demonstraram em animais que o injetor pode administrar células-tronco na parte posterior do olho, que poderiam ser úteis para os tratamentos regenerativos.

"O i2T2 ajudará a facilitar as injeções em lugares do corpo difíceis de localizar", resumiu Miguel González-Andrades, oftalmologista coautor do texto e colaborador do laboratório de Karp. Agora, o próximo passo para o uso humano é demonstrar a utilidade e a segurança da tecnologia em modelos pré-clínicos relevantes.