EFESydney (Austrália)

Um grupo de pesquisadores da Austrália descobriu no litoral sul do país um conjunto de dentes de um gigantesco tubarão pré-histórico que habitou os oceanos há cerca de 25 milhões de anos, informaram nesta quinta-feira fontes científicas.

Os dentes fossilizados do extinto tubarão "Carcharocles angustidens", que podia chegar a nove metros de comprimento, foram encontrados por paleontólogos da Museums Victoria - a maior organização pública de museus da Austrália - e por um cidadão na cidade litorânea de Jan Juc, que fica a aproximadamente 100 quilômetros de Melbourne.

Lá também foram encontrados dentes de tubarões Sixgill (Hexanchus, também conhecido como cação-bruxa no Brasil), o que faz os cientistas acreditarem que estes últimos devoraram o cadáver da enorme criatura após sua morte, segundo um comunicado da Museums Victoria.

Em nível mundial, os paleontólogos geralmente encontram um único dente fossilizado do gigantesco tubarão extinto, por isso a descoberta do conjunto de dentes do tubarão da época do Oligoceno na Austrália tem grande relevância científica por sua raridade.

Isso se deve ao fato de que os tubarões, que têm a capacidade de regenerar sua arcada dentária, perdem um dente por dia. Além disso, a cartilagem que compõe seu esqueleto não se fossiliza com facilidade.

"Os dentes têm uma importância internacional porque representam um de três conjuntos dentais dos 'Carcharocles angustidens' que existem no mundo e são o primeiro conjunto descoberto na Austrália", explicou Eric Fitzgerald, paleontólogo da Museums Victoria.

A descoberta desses dentes do "Carcharocles angustidens", que são duas vezes maiores que os do tubarão branco, foi feita por Philip Mullaly, um entusiasta das ciências que estava buscando fósseis na praia.

Durante um passeio por Jan Juc, um local conhecido por abrigar fósseis, Mullaly avistou algo brilhante em uma rocha e encontrou parte do dente fossilizado.

Depois, Fitzgerald e seu equipe realizaram escavações no lugar, onde encontraram outros 40 dentes.

A maioria deles pertenciam ao "Carcharocles angustidens" e os outros eram de exemplares menores, da espécie Sixgill, um animal que ainda hoje habita o litoral do estado de Victoria, no sul da Austrália.

Os dentes dos Sixgill teriam se soltado das mandíbulas dos tubarões enquanto estes se alimentavam do cadáver do "Carcharocles angustidens", segundo o paleontólogo Tim Ziegler.

"Os dentes do tubarão sixgill funcionam como uma serra que poda uma árvore e despedaçaram o 'Carcharocles angustidens'. O odor do sangue e da carne em putrefação deve tê-los atraído desde muito longe", comentou Ziegler.

Atualmente, os Sixgill se alimentam dos restos mortais de baleias e de outros animais, um estilo de vida que estes animais aparentemente mantiveram durante dezenas de milhões de anos.