EFEParis

Milhares de estudantes bloquearam nesta terça-feira 450 centros de ensino em toda a França, 60 deles totalmente, em uma nova jornada de protestos contra as últimas medidas educativas anunciadas pelo presidente Emmanuel Macron, segundo confirmou à Agência Efe o Ministério da Educação.

Os números são similares aos da última sexta-feira, quando cerca de 400 institutos foram afetados pelas mobilizações, e 50 deles ficaram completamente bloqueados.

A associação de estudantes UNL-SD cifrou em dezenas de milhares o número de alunos que aderiram à convocação de uma "terça-feira negra", que a organização qualificou como o "maior protesto desde o início das mobilizações" em 3 de dezembro.

Os estudantes pedem que o governo volte atrás nas reformas da prova final de bacharelado e do sistema de acesso à universidade, previstas para 2021. Além disso, exigem a supressão do serviço nacional universal que Macron pretende iniciar e a gratuidade de transporte e de material escolar.

Algumas cidades registraram incidentes relacionados com os protestos. Em Saint-Ouen, nos arredores da capital, um jovem de 17 anos ficou ferido levemente por um disparo de bala de borracha.

Em uma escola de Nantes, no noroeste da França, a polícia utilizou gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes após um enfrentamento entre eles e as forças da ordem, enquanto em Saint-Denis, nos arredores de Paris, cerca de 30 manifestantes foram detidos.

Outra reivindicação dos estudantes é a anulação do aumento das taxas de inscrição para os universitários estrangeiros de fora da União Europeia, que pagarão um valor dez vezes maior a partir do próximo curso letivo.

As faculdades de Tolbiac e Sorbonne, em Paris, foram fechadas ontem como medida de segurança e a Universidade de Paris-Nanterre foi bloqueada pelos estudantes.

As mobilizações desta terça-feira "negra" acontecem poucos dias depois da detenção de mais de 100 jovens, que estariam envolvidos em protestos, em uma escola em Mantes la Jolie, a 50 quilômetros de Paris, e que foram obrigados a ficar de joelhos pela polícia.

A associação UNL-SD pediu aos manifestantes que protestassem de joelhos e com as mãos por trás da cabeça em solidariedade com os alunos da escola em Mantes la Jolie, onde hoje alguns contêineres foram incendiados em forma de protesto.

Além disso, a UNL-SD pediu aos alunos das escolas de ensino médio e universidades, funcionários e docentes a se juntarem à greve convocada pelo Sindicato Nacional de Ensino Superior (SNESUP-FSU) na próxima quinta-feira para uma "convergência de lutas".