EFEHong Kong

Um em cada quatro universitários de Hong Kong foi vítima de assédio sexual, mas só 2,5% deles apresentaram uma queixa à universidade depois, revelou um estudo publicado nesta terça-feira o jornal independente "South China Morning Post".

No total, 27% das mulheres participantes responderam ter sofrido assédio, da mesma forma que 18,4% dos homens, "uma porcentagem superior ao esperado", segundo as conclusões do estudo "Rompa o silêncio: estudo sobre o assédio sexual em estudantes universitários", elaborado pela Comissão para a Igualdade de Oportunidades (EOC) e no qual participaram 14.442 estudantes de ambos os sexos de nove universidades diferentes.

"O problema do assédio sexual no campus é grande demais para ser ignorado. Alguns casos foram de fato uma agressão sexual flagrante", afirmou o professor e presidente do EOC, Alfred Chan Cheung-ming, em comunicado.

Entre os estudantes que afirmaram ter sido assediados sexualmente no campus, a maioria indicou que os agressores eram homens (80,7%), enquanto 72,7% eram companheiros de classe e 4,4% eram tutores ou professores.

Sobre os professores que assediam alunos, o chefe de operações de EOC, Ferrick Chu Chung-Man, afirmou que embora seja uma porcentagem pequena, trata-se de um "fenômeno de abuso de poder preocupante, já que as vítimas de assédio sexual são vulneráveis a atuar contra si ou denunciá-las".

Segundo a pesquisa, entre os tipos de assédio sexual mais comuns figuram os comentários ou brincadeiras "insinuantes" diante de outro estudante (38% dos casos) ou comentários realizados diretamente à vítima (34,7%), enquanto o contato físico "inadequado" ocorreu em 20,2% dos casos.

5,1% dos indagados confessaram que tinham seguido sofrendo assédio apesar de terem manifestado sua rejeição, enquanto 2,8% disseram que, em troca de favores sexuais, tinha sido oferecido bons resultados acadêmicos, dinheiro ou outros benefícios.

Embora as universidades tenham investido na prevenção do assédio sexual, os esforços tradicionais de promoção e capacitação das universidades não são efetivos para os estudantes.

Mais da metade dos universitários não conhecia a política dos seus centros contra o assédio sexual, enquanto mais de uma quarta parte disse que esses esforços são "insuficientes" ou "muito insuficientes".

A EOC recomendou às autoridades educativas de Hong Kong que reformem a fundo os programas de educação sexual, fazendo mais insistência na igualdade de gênero.