Las Vegas (EUA), 7 mai (EFE). - Os Fidget Spinners são a sensação do momento entre meninos e meninas nos Estados Unidos. O brinquedo que roda tem deixado os professores de cabelo em pé na tentativa de vê-lo fora das salas, mas essa não é uma tarefa fácil, já que é vendido como utensílio que ajuda milhões de pacientes com déficit de atenção com hiperatividade (DDA).

Ele tem basicamente o tamanho da palma da mão e possui três aros unidos entre si, em uma espécie de hélice. No centro, outro círculo faz as vezes de eixo giratório. A princípio, essa é exatamente a graça, fazer com que gire, gire e gire.

Parece divertido? Para muita gente é e por isso mesmo eles estão lotando os pontos de ônibus, os parques e, claro, as escolas.

Este simples artigo foi concebido no momento certo, há mais de duas décadas, por Catherine A. Hettinger que queria criar um brinquedo que, de alguma forma, simbolizasse a paz.

No entanto, hoje ele é em um brinquedo viral e, mais do que isso, está no eixo de uma controvérsia que envolve alunos, professores e diretores de escolas.

No início deste mês, pais de uma escola na cidade de Henderson, no sul de Nevada, receberam uma carta pedindo a conscientização de todos aqueles que até agora permitiam que seus filhos levassem à escola os famosos brinquedos.

"Se tornaram uma enorme distração e problema nas salas de aula", adverte o bilhete, que assegura que de agora em diante qualquer engenhoca como essa será confiscada e devolvida somente na presença dos responsáveis do aluno ou ao próprio dono, mas só no final do ano letivo.

Não haveria nada de extraordinário no comunicado da escola, se esse não fosse um dos muitos comunicados que são enviados diariamente em todo o país por diversos colégios. E a verdadeira origem da polêmica reside justamente no por quê da súbita explosão do Spinners nas salas de aula.

A razão é que muitos destes aparelhos são comercializados como ferramentas de ajuda para pessoas com autismo, DDA, estresse, ansiedade e até depressão, pois são vendidos para, supostamente, aumentar a capacidade de atenção.

Sendo assim, não é raro que quando um professor fale com algum aluno para guardar o brinquedinho ele responda: "Desculpa, é recomendação médica".

O número de casos de DDA nos Estados Unidos subiu 43% entre 2003 e 2011, e atinge quase seis milhões de crianças e adolescentes, conforme dados de 2015 das autoridades de saúde do país, que indicam que 11% dos que têm entre 4 e 17 anos estão nesta condição.

Educadores e administradores estão a par da tendência. Reconhecem que, de fato, existem especialistas que o recomendam como terapia para alguns pacientes, mas não podem prejudicar a ordem e a disciplina de uma instituição inteira por causa disso.

Bill Mitchell, professor e especialista em administração escolar, afirma que no caso de sua escola do sul de Nevada a quantidade de crianças que arrumaram problemas depois dos famosos giradores surgiram diminuiu.

"Entendo a preocupação de muitos professores e não estão errados em proibir, mas é preciso ver o outro lado. Eu tenho menos incidentes agora com estudantes que habitualmente se metiam em problemas e que têm muita energia desde que o 'spinner' apareceu. É questão de balancear e estabelecer regras claras", defendeu.

Regras que instituições de ensino de Illinois, Massachusetts, Minnesota, Flórida e agora Nevada estão começando a implementar para resistir à invasão destes brinquedos.

Jerónimo Guerra, aluno do sétimo ano em uma escola de Henderson, assegura que em sua escola a única forma de usar um destes populares brinquedos agora é acompanhado de um laudo médico que especifique razões, métodos, esclarecimentos de uso do artigo e, certamente, suas atribuições para cada caso.

"São muito populares e eu acho divertido porque dá pra fazer truques, mas já não deixam mais levar para a minha escola. Sei de outros colégios onde meus amigos dizem que as coisas fugiram do controle porque todos jogam ao mesmo tempo", contou à Efe.

No final, dizem alguns, o Fidget Spinner não passa de uma moda que, como o ioiô, o cubo mágico e muitos outros, vai acabar desaparecendo para a felicidade de todos aqueles que hoje enlouquecem tentando encontrar uma forma de se desfazer deste brinquedo.

Por Adriana Arevalo