EFEKatmandu

Se o aquecimento global não parar, 3/4 das geleiras do Himalaia derreterão dentro de cem anos, pondo em risco a sobrevivência de centenas de milhões de pessoas e os picos mais altos do mundo, adverte um estudo publicado nesta segunda-feira em Katmandu.

O relatório do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado da Montanha (ICIMOD), desenvolvido ao longo de cinco anos por 350 pesquisadores de 22 países e 185 organizações na região do Hindu Kush e do Himalaia (HKH), revela uma "crise climática" da qual ninguém ouviu falar.

A região HKH compreende um sistema de montanhas com uma superfície de 4,2 milhões de quilômetros quadrados que abrange parte do Afeganistão, Bangladesh, Butão, China, Índia, Mianmar, Nepal e Paquistão.

O diretor do relatório do ICIMOD, Philippus Wster, assegura que "o aquecimento global pode transformar os frios picos cobertos de geleiras da HKH que percorrem oito países em rochas descobertas em pouco menos de um século".

Os dados coletados pelos especialistas sustentam que a poluição atmosférica que se origina no HKH amplifica os efeitos dos gases do efeito estufa provocando terríveis consequências.

A região é o lar dos picos mais altos do mundo, de uma vasta reserva natural e bacias hidrográficas que proporcionam serviços de ecossistemas, incluindo água, alimentos e energia, a 240 milhões de pessoas que vivem nas montanhas.

Há, além disso, 1,65 bilhão de pessoas que vivem nos vales que também se beneficiam diretamente ou indiretamente de seus recursos e mais de 3 bilhões de pessoas se abastecem dos alimentos desenvolvidos graças a este ecossistema.

"O impacto nas pessoas da região, que já é uma das montanhas mais frágeis e propensas aos perigos do mundo, variará desde uma piora da poluição do ar até um aumento nos fenômenos meteorológicos extremos", advertiu.

Os pesquisadores concluíram que se o aquecimento continuar, as temperaturas das montanhas aumentarão cinco graus centígrados e isto conduzirá à perda de dois terços das geleiras para 2100.

Inclusive se o aquecimento global se mantiver em 1,5 graus centígrados, as temperaturas na região aumentarão 2,1 graus e um terço dos geleiras derreterão, por isso que a consequência em qualquer cenário será crítica para a produção de alimentos nas zonas de vales, segundo o relatório.

As áreas cobertas de neve e os volumes da mesma diminuirão na maioria das regiões durante as próximas décadas devido ao aumento das temperaturas.

Além disso, a poluição do ar nesta região está aumentando e a qualidade do ar piorou nas duas últimas décadas, o que transformou a HKH em uma das regiões mais poluídas do mundo.

As devastadoras consequências que isto terá também para o turismo, uma das principais fontes de ingresso das populações da região, foram investigadas em um relatório separado intitulado Turismo e Desenvolvimento de Montanhas.

O reporte afirma que entre 15% e 20% da indústria turística mundial, ou entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões por ano, corresponde ao turismo de montanha.

"São tempos difíceis para a região, daqui até 2080 as condições econômicas e aspectos sociais previstos no relatório podem piorar", disse durante a apresentação Eklabya Sharma, subdiretora geral de ICIMOD.

"Mas o futuro não tem que ser sombrio se os governos trabalharem juntos para mudar o impacto nas geleiras e em outros inumeráveis danos", concluiu a especialista.

Sangam Prasai