EFESão Paulo

A Escola Municipal Darcy Ribeiro, em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, era considerada uma das piores do estado, até que passou a ser liderada por Diego Mahfouz Faria Lima, um dos finalistas do Global Teacher Prize 2018, o "Nobel da Educação", que transformou em referência internacional um lugar castigado pela violência e pelo tráfico de drogas.

Após uma árdua batalha dentro de sala de aula, Lima agora compete com outros dez professores do mundo todo ao prêmio da Fundação Varkey. Segundo ele, a indicação deu coragem para seguir acreditando no projeto que começou em 2014, quando assumiu a direção do colégio. Quando chegou, muitos alunos entravam sem livros - às vezes com armas -, frequentavam salas destruídas e praticavam bullying uns com os outros, o que era respondido com suspensões, que faziam com que não voltassem.

"Eu já sabia que teria grandes desafios", afirmou ele sobre a chegada à escola considerada como uma das mais violentas do estado de São Paulo.

Após uma agressão à diretora e a renúncia da coordenadora, ele assumiu a liderança do lugar e encarou a primeira batalha.

"No primeiro dia, fui me apresentar aos alunos eles saíram carregando cartazes escrito 'rebelião', queimaram os banheiros, me atiraram lixo...", lembrou o diretor.

Aquilo que para muitos motivou a desistência, para Lima foi estímulo para ganhar a confiança dos alunos.

"A minha primeira ação foi dizer que eu não ia embora, que estava ali para ficar e que queria ouvi-los. Comecei a dar voz a eles. Disseram que a escola era muito punitiva, que não eram ouvidos, que tudo era motivo para expulsão, que era muito feia, muito deprimente...", contou.

Então começou ele mesmo a pintar as paredes destruídas das salas de aula, depois de juntar material de obra de outras escolas da região. Foi então quando alguns responsáveis resolveram se voluntariar e começaram a ajudar nas melhorias da escola com pequenas ações como "consertar ventiladores e torneiras", uma medida importante, já que a manutenção feita pela prefeitura "demora até 15 dias".

"O diretor é como o maestro de uma orquestra, sozinho ele não faz nada. Sem a ajuda de outros músicos a orquestra não caminha", ilustrou Lima, ressaltando a importância de uma "gestão democrática" onde os alunos e a comunidade "sejam protagonistas de todo o processo".

Para contornar as adversidades, criou projetos de caráter sociocultural para gerar interesse na escola, evitar o retorno dos jovens ao tráfico de drogas e acabar com a evasão escolar.

"Implantamos um sistema de cartões estudantis que controlam a frequência. Quando alguém não vem por dois ou três dias, eu mesmo vou à casa para falar com a família e ver por que está acontecendo", explicou.

Aos poucos, os sinais da criminalidade também foram sumindo e até os buracos nas paredes do pátio usados para esconder drogas foram tapados. Os moradores do bairro, espontaneamente revitalizaram o espaço e fizeram do lugar uma praça de leitura.

As iniciativas tomadas por Lima fazem parte do projeto "Minha Escola: Reconstrução Coletiva", com o qual ele almeja ser o professor vencedor do Global Teacher Prize, que será entregue em Dubai, nos Emirados Árabes, no próximo domingo. Com ele competem educadores de Turquia, África do Sul, Colômbia, Filipinas, Estados Unidos, Bélgica, Austrália, Reino Unido e Noruega.

"Tenho muita vontade de ganhar para poder aplicar este projeto em escolas de todo o mundo", disse.

Caso receba o prêmio de US$ 1 milhão, sua ideia é destinar o valor para montar uma ONG e assim "oferecer uma educação profissional para retirar jovens do mundo do crime".

"Agora, é uma escola de referência nacional, que já não tem expulsões, abandono e nem saques", garantiu ele, mostrando que o professor "é um agente que transforma vidas".

Paula Navalón.