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Um estudo desenvolvido no Canadá pelo cientista cubano Alejandro Pérez descobriu que as ondas cerebrais se sincronizam de forma diferente quando as pessoas conversam na língua nativa e em um idioma estrangeiro.

A pesquisa de Pérez, do Departamento de Psicologia da Universidade de Toronto, comprovou que, quando a conversa se dá em uma língua estrangeira, as áreas do cérebro que se ativam são diferentes de quando se fala a língua nativa.

Em declarações à Agência Efe, Pérez afirmou que após estudar primeiro a sincronia entre duas pessoas que têm a mesma língua de origem, o novo estudo, publicado na última edição da revista médica "Cortex", tenta determinar "se essa sincronia se dá de maneira diferente quando é um idioma nativo ou estrangeiro".

"Não entramos na questão se são dois idiomas que você domina perfeitamente porque certamente nesse caso a sincronização entre cérebros provavelmente é igual. E efetivamente, o que descobrimos é que você se sincroniza de uma forma diferente se utilizar uma língua nativa ou uma língua estrangeira", explicou.

Para realizar o estudo, Pérez e sua equipe do Centro para Francês e Linguística do Departamento de Psicologia da Universidade de Toronto registraram a atividade cerebral de 60 indivíduos usando eletroencefalografia enquanto conversavam.

Metade das conversas foi realizada em espanhol e a outra metade em inglês. E, embora em ambos os casos as ondas cerebrais dos participantes do estudo tenham se sincronizado, quando os indivíduos conversaram em inglês as ativações se produziram em áreas diferentes do estudo, disse o pesquisador cubano.

As razões destas diferenças ainda precisam ser explicadas, mas Pérez afirmou que um motivo pode ser que, ao falar um idioma estrangeiro, a capacidade mental para representar as palavras é mais difícil de conseguir, o que obrigaria o cérebro a ativar partes diferentes.

"Ainda restam muitas incógnitas, muitas coisas para resolver. É uma primeira aproximação. A diferença neste caso ocorre devido ao fato de serem diferentes as áreas que estão se sincronizando", explicou.

Mas o que está provado com o estudo é que "a linguagem utilizada influiu no alinhamento das ondas cerebrais entre os que mantinham a conversa e isto sugere que a comunicação efetiva poderia estar baseada neste acoplamento neural entre cérebros", acrescentou Pérez.

Em termos práticos, o pesquisador afirmou que "a cada vez que no campo da neurociência alguém descreve um fenômeno de sincronização, a interpretação de maneira geral é de uma inter-relação, de uma comunicação entre as partes".

Pérez indicou que a ciência descreveu estas sincronias entre pessoas na respiração, no batimento cardíaco e inclusive nos ciclos menstruais das mulheres.

O cientista explicou que as sincronizações "claramente têm avanços evolutivos, pois qualquer processo de colaboração te dá vantagens evolutivas no sentido de adaptação ao meio".

Entre as aplicações práticas que poderiam se derivar da descoberta do professor Pérez e sua equipe estaria a capacidade de "quantificar a qualidade da conversa" entre duas pessoas ou se realmente as duas partes se entenderam mutuamente.

Pérez também afirmou que o acoplamento entre fala e ondas cerebrais de quem fala e quem escuta pode ser a chave para que a fala robótica seja indistinta à humana.

Julio César Rivas.