EFEGuarda (Portugal)

Sensibilizar os mais jovens, com a estratégia de "educar a criança para chegar ao adulto", e acabar com a febre do eucalipto são medidas fundamentais para prevenir os incêndios florestais em Portugal após as dramáticas experiências que deixaram mais de cem mortos há dois anos.

Para isso trabalham especialistas do Parque Natural Serra da Estrela, que desenvolverá, até este domingo, uma campanha para plantar mais de cinco mil árvores de diferentes espécies autóctones, com a participação de 400 crianças em idade escolar.

"Para mudar a mentalidade temos que educar os jovens e estes chegarão aos mais velhos", disse à Agência Efe Carlos Camelo, prefeito de Seia e presidente da Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela (CIMBSE), promotora da ação de reflorestamento.

Silvia Pereira, engenheira da CIMBSE, detalhou que serão cultivadas castanheiras, carvalhos, medronheiros, sobreiros e pinheiros, entre outras espécies.

"O eucalipto não faz sentido em Portugal", ressaltou Camelo, já que se trata de uma árvore que alimenta o fogo.

"É uma espécie invasora que colonizou milhares de hectares despovoados e abandonados", sobretudo na região do Centro, onde está situada a Serra da Estrela, esclareceu o prefeito.

Na memória recente do país estão os incêndios de 2017 nos quais morreram 111 pessoas e 440 mil hectares foram destruídos.

Em 2018 o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, quis mostrar que está atento às políticas florestais e convocou a imprensa para que o fotografasse enquanto arrancava com suas mãos os pés de eucalipto e os substituía por plantas de espécies autóctones.

A cruzada contra o eucalipto foi referendada com o decreto-lei aprovado pelo governo português no final do ano passado que proíbe replantar com eucalipto as áreas queimadas em incêndios florestais que antes estavam ocupadas por outras espécies arbóreas.

O reflorestamento do Parque Natural Serra da Estrela começou por várias áreas afetadas por incêndios em 2017, tais como Almeida, Sabugal, Pinhel, Fundão, Figueira de Castelo Rodrigo, Fornos de Algodres, Trancoso e Celorico da Beira, além do trabalho de voluntários em Covilhã, Gouveia, Seia e Guarda.

Pelo menos mil voluntários, dos quais 400 serão estudantes, reflorestarão paisagens que ainda estão dominadas pelos ambientes destruídos pelas chamas.

Os autores do livro "Portugal em chamas", João Camargo e Paulo Pimenta, alertam em sua obra, recentemente publicada, que a política praticada nos últimos 50 anos fez com que Portugal ficasse com quase 10% (um milhão de hectares) da sua área florestal plantada de eucalipto, a maior superfície em proporção desta planta no mundo e a quinta em números absolutos, atrás de Índia, Brasil, África do Sul e Espanha.

A rentabilidade em curto prazo desta espécie para a indústria de celulose provocou, segundo a organização ambientalista portuguesa Quercus, um aumento da área plantada de eucalipto do tamanho da cidade de Lisboa entre o final de 2013 e o primeiro semestre de 2017.

Carlos García.