EFEBudapeste

A Universidade Centro-Europeia (CEU, na sigla em inglês), fundada em 1991 pelo magnata liberal George Soros, anunciou nesta segunda-feira que mudará suas instalações de Budapeste, na Hungria, para Viena, na Áustria, diante da recusa do governo conservador nacionalista húngaro de assinar um acordo que facilite o seu funcionamento no país.

"Isso não tem precedentes. Uma instituição dos Estados Unidos foi expulsa de um país aliado na Otan. Uma instituição europeia foi expulsa de um Estado-membro da União Europeia", disse em comunicado o reitor da instituição, Michael Ignatieff.

"A CEU se vê obrigada a anunciar hoje que lançará em Viena todos os programas de pós-graduação credenciados pelos Estados Unidos a partir de setembro de 2019", detalhou o reitor, um ex-ministro canadense.

Uma polêmica legislação, aprovada em abril de 2017, exige que as instituições acadêmicas financiadas do exterior com atividades na Hungria tenham um acordo e um campus no país de origem de credenciamento de seus títulos até o fim de 2018.

Apesar de ter cumprido os requisitos, o governo do primeiro-ministro Viktor Orbán se negou até agora a assinar um acordo, já que considera que não está comprovado que a CEU mantém atividades acadêmicas nos EUA.

Apesar de sua mudança para Viena, a CEU, uma entidade privada, com aproximadamente 1.200 estudantes, conservará seu credenciamento como universidade húngara e buscará continuar com a atividade docente e de pesquisa em Budapeste "o maior tempo possível", segundo o comunicado.

"É um dia obscuro para a Europa e um dia obscuro para a Hungria", acrescentou a CEU na nota, na qual reiterou que a remoção arbitrária de uma universidade de renome é uma "violação flagrante da liberdade acadêmica".

No fim de outubro, Ignatieff adiantou que se não fosse assinado o acordo até 1º de dezembro, os estudantes que iniciassem os programas de mestrado e doutorado credenciados nos EUA estudariam em um novo campus em Viena a partir do ano acadêmico 2019/20.

A instituição fez hoje o anúncio para poder "recrutar estudantes a tempo para o início do próximo ano acadêmico".

A prefeitura de Viena, governada por social-democratas e ambientalistas, e também o chanceler federal austríaco, o democrata-cristão Sebastian Kurz, são favoráveis a receber a CEU e já lhe adjudicaram um campus próprio.