EFESantiago do Chile

O brasileiro Eduardo Carlezzo, advogado da federação chilena de futebol (ANFP), afirmou que a presença do Equador na Copa do Mundo seria uma mancha para a competição e garantiu que existem "provas suficientes" da irregularidade na documentação do lateral-direito Byron Castillo.

A Fifa já abriu um procedimento disciplinar sobre o caso, que poderia render perda de pontos para a seleção equatoriana, e a consequente perda da vaga no Mundial do Catar, que acontecerá entre novembro e dezembro deste ano.

A entidade internacional irá decidir sobre a situação de Castillo, a partir de denúncia feita ela ANFP daqui três dias. Carlezzo disse que "seria escandaloso" que fossem desconsideradas as acusações que evidenciam que o lateral atuou com documentação alterada para defender o Equador, pois, na realidade, nasceu na Colômbia.

"É muita a carga probatória", afirmou o advogado.

"Todos os clubes, todo o futebol do Equador sabe o que aconteceu com Byron Castillo. Então, me parecia importante que a gente soubesse todos os antecedentes", completou o brasileiro.

Carlezzo lembrou da proximidade com a Copa do Mundo, que, inclusive, já tem grupos definidos. Por isso, apelou por uma decisão criteriosa sobre o caso.

"Com todos os antecedentes que temos, deveríamos ficar de braços cruzados? Se eu fizer isso, entrego minha carteira de advogado e me dedico a outra coisa. É algo contundente, e esperamos que a Fifa analise tecnicamente", disse.

O responsável pela defesa chilena afirmou que se preocupa porque "aparentemente, não haverá uma investigação específica do jogador".

"Byron Castillo tinha que falar, e os órgãos esportivos deveriam escutá-lo. Isso não vai acontecer", lamentou.

"Entregamos todas as provas, e o jogador é colombiano, mas a Copa do Mundo está próxima, e o que pedimos não aconteceu nunca. Posso dizer, com toda segurança, que se tivéssemos mais tempo, sem grupos sorteados, teríamos uma decisão que favoreceria o Chile", garantiu.

Carlezzo disse que os ingressos já vendidos, assim como pacotes de viagens, tornam a decisão muito mais difícil para a Fifa, mas garantiu que não irá desistir em caso de derrota daqui três dias.

"Iremos à Câmara de Apelações e, depois, se tudo seguir negativo, à Corte Arbitral do Esporte (CAS)", anunciou o brasileiro.

Carlezzo, inclusive, afirmou que a responsabilização sobre a irregularidade pode ir além do jogador, e chegar à Federação Equatoriana de Futebol, que não se manifestou sobre o caso.

"Desde o início, sabiam do passado de Byron. Por isso, o tiraram de uma seleção sub-20. Tinham toda a história e tinham recebido denúncias, mas nunca fizeram nada. Será porque o jogador era bom demais para afastá-lo?", indagou.

Além disso, Carlezzo denunciou que a falsificação de documentos de jogadores "não é algo novo" no futebol do Equador.

"Havia um esquema consolidado de falsificação de informações no Equador, de jogadores locais e estrangeiros. Como a pressão era grande, a federação foi obrigada a fazer acordo de colaboração com a Diretoria Nacional de Registro Civil. Era um assunto grande", concluiu.

MUDANÇAS NA CLASSIFICAÇÂO.

Ao todo, Castillo participou de oito jogos das Eliminatórias, entre eles os dois contra o Chile. O primeiro aconteceu em 5 de setembro e terminou em empate sem gols. No segundo, os equatorianos levaram a melhor por 2 a 0.

Se ganhasse os cinco pontos perdidos diante do Equador, a seleção chilena saltaria para 24 pontos na tabela. Mesmo com outras alterações geradas pelo imbróglio, os campeões da Copa América em 2015 e 2016 saltariam para a quarta colocação, obtendo vaga direta na Copa.

O Equador, por sua vez, cairia para a última colocação, pois, 14 dos 26 pontos conquistados na competição foram com o lateral-direito em campo.

Brasil, Argentina e Uruguai seguiriam como os três classificados diretos ao Mundial que será realizado no Catar, enquanto o Peru se manteria como participante da repescagem, para enfrentar a Austrália.

Classificada para a Copa, a seleção equatoriana está no grupo A do torneio, em que enfrentará Catar, Holanda e Senegal, nesta ordem. EFE