EFEManuel Sánchez Gómez. Londres

Os clubes da Premier League estão enfrentando a ameaça do desaparecimento das marcas de casas de apostas de suas camisas, com o veto a patrocínios milionários que abrangem quase a metade dos participantes dos Campeonato Inglês e representam um negócio de mais de 14 bilhões de libras (R$ 84,1 bilhões) no Reino Unido.

O governo, contudo, pretende parar a expansão das casas de apostos e no risco que elas representam para cerca de 3 milhões de pessoas no país. A ideia é que, entre 2023 e 2024, os patrocínios deste tipo de negócio não estampem mais as camisas dos times da Premier League.

Isso representaria um duro golpe nas finanças dos clubes, que contam com estes acordos como uma parte considerável de sua sustentação financeira.

A preocupação do governo é a entrada cada vez mais abundante das apostas nos bairros mais pobres do território britânico, além de consequências como a marca de um suicídio por dia por temas relacionadas como o jogo de azar, segundo dados do governo.

O desaparecimento deste tipo de patrocínio, em média, geraria prejuízo de 37,5 milhões de libras (R$ 226 milhões) anuais para cada equipe da elite inglesa que apresenta uma marca de casa de apostas na camisa.

Equipe como o Leeds e o West Ham têm como principais patrocinadores estes tipos de empresas. Ao todo, nove das 20 equipes que disputaram a primeira divisão inglesa tiveram algum tipo de relação com casas de apostas.

O impacto é ainda maior nas divisões inferiores. Na Championship, segunda divisão do futebol da Inglaterra, foram 15 dos 24 participantes.

Os times de menor expressão estão mais vulneráveis às mudanças do que os grandes, que possuem outras fontes importantes de receita, como é o acordo de direitos de televisão da Premier League, de 5 bilhões de libras (R$ 30 bilhões) por três anos.

Com a proximidade do início da temporada 2022-2023 e diante da falta de um acordo para apresentar as mudanças, o governo britânico teme que os clubes já estejam negociando novos contratos de patrocínio para a próxima temporada, e por isso corre contra o tempo para conseguir aprová-las para o período 2023-2024.

O ex-goleiro Peter Shilton, jogador que mais vezes vestiu a camisa da seleção da Inglaterra, apresentou ao governo uma petição assinada por 12 mil pessoas, por um ajuste na lei.

Com passagens por Leicester, Nottingham Forest, Southampton, entre outros clubes, Shilton, de 71 anos, reconheceu que foi viciado em apostas por 45 anos.

A proibição dos patrocínios de casas de apostas nas camisas, embora não vá acontecer imediatamente, deverá representar a maior mudança no marketing esportivo desde 2003 no Reino Unido, quando foi proibida a exibição das marcas de cigarros nos uniformes. EFE