EFEManuel Sánchez Gómez. Londres

Se, no campo, Real Madrid e Liverpool farão uma final de Liga dos Campeões sem favorito claro, fora dele o clube espanhol está muito à frente do rival, com quase 100 milhões de euros (R$ 514,3 milhões) a mais de receita.

Enquanto os 'merengues' aumentaram o faturamento com patrocínios e venda de 'merchandising', em 140% nos últimos dez anos, os 'Reds' ficou longe desse patamar, apesar de terem chegado à decisão da competição continental três vezes em cinco anos.

No exercício 2020-2021, o Real Madrid faturou 640 milhões de euros (R$ 3,29 bilhões), cerca de 7% a menos do que no mesmo período anterior de 12 meses, que foi afetado, especialmente, pela pandemia da covid-19.

De acordo com a empresa de consultoria Deloitte, as receitas comerciais foram menos afetadas e caíram de 360 milhões de euros (R$ 1,85 bilhão) no período 2019-2020 para 322 milhões (R$ 1,65 bilhão) no exercício seguinte.

A outra parte do bolo é completada pela receita televisiva, que chegou a 310 milhões de euros (R$ 1,59 bilhão), e pelo 'matchday (faturamento por ações no dia dos jogos), que foi de apenas 8,6 milhões de euros (R$ 44,2 milhões), devido à quantidade de partidas realizadas com portões fechados.

No caso do Liverpool, o faturamento no exercício 2020-2021 foi de 550 milhões de euros (R$ 2,82 bilhões), sendo que 303 bilhões (R$ 1,55 bilhão) foram procedentes de direitos de transmissão.

Como os valores pagos por TVs e 'matchday' são semelhantes, a grande diferença vem no setor comercial, onde o Real Madrid goleia o Liverpool com vantagem de 84 milhões de euros (R$ 432 milhões). A equipe inglesa obteve 238 milhões (R$ 1,22 bilhão) referentes a patrocínios.

Os 'Reds' têm entre os maiores contratos o firmado com a companhia de seguros AXA, que dá nome ao CT do clube; com a agência de viagens Expedia, que expõe a marca nas mangas da camisa; com a Carlsberg, que é o parceiro mais antigo de uma equipe da Premier League (30 anos); com a EA Sports, entre outros. Ao todo, são 24 parceiros comerciais, entre eles a promotora de shows Live Nation, que organiza espetáculos no estádio Anfield Road.

O palco que é propriedade dos 'Reds' é outra fonte de renda do Liverpool, uma vez que, terminada a temporada, receberá apresentações da banda de rock Rolling Stones.

Além disso, o clube inglês tem margem de melhora financeira e, por isso, já negocia para ter um novo patrocinador master, aquele que estampa a marca em espaço privilegiado na camisa da equipe principal.

O banco Standard Chartered, atual parceiro, paga 46 milhões de euros (R$ 236,5 milhões) por ano, conforme o indicado em contrato firmado em 2018. A expectativa do Liverpool é dobrar o montante.

O Real Madrid, por sua vez, recebe 70 milhões de euros (R$ 360 milhões) da Fly Emirates, que é um dos 14 parceiros comerciais, como Adidas, Coca-Cola, Volkswagen, Nivea, entre outros.

Além disso, o clube espanhol conseguiu um impulso nas finanças, com o acordo com as companhias Sixth Street e Legends, que ficarão encarregadas de explorar as áreas de entretenimento do estádio Santiago Bernabéu por 360 milhões de euros (R$ 1,85 bilhão).

Com isso, o Real Madrid buscará ampliar a diferença para o restante dos grandes clubes europeus, ao mesmo tempo em que o Liverpool tenta encurtar a diferença financeira para o topo. Um passo fundamenta é uma vitória deste sábado, na final que será disputada no Stade de France, nos arredores de Paris. EFE