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Alvo de pessimismo da própria torcida e da imprensa, a seleção da Rússia abriu a Copa do Mundo da qual é anfitriã com uma surpreendente goleada por 5 a 0 sobre a Arábia Saudita, no Estádio Luzhniki, em Moscou, e encerrou um jejum de sete jogos sem vitórias.

Os donos da casa igualaram, dessa forma, o resultado mais elástico aplicado em uma abertura de Mundial desde 1954. Na Suíça, a seleção brasileira passou pelo México pelo mesmo placar. Aquele jogo, realizado em Genebra, na Suíça, foi um dos quatro que aconteceram simultaneamente para marcar o início do torneio - algo que também ocorreu em edições anteriores, como em 1934, quando a Itália aplicou 7 a 1 nos Estados Unidos.

O primeiro gol da Copa disputada na Rússia foi marcado logo aos 12 minutos do primeiro tempo, pelo meia Iury Gazinsky, de 28 anos. O jogador do Krasnodar eternizou, assim, seu nome na história dos Mundiais. Pouco antes do intervalo, aos 43, o também meia Denis Cheryshev ampliou.

O autor do bonito segundo gol dos russos havia começado o jogo no banco de reservas e entrou em campo aos 24 minutos da etapa inicial, graças a uma lesão muscular sofrida pelo meia Alan Dzagoev, um dos nomes mais badalados do elenco dos anfitriões.

Na etapa complementar, aos 26, o atacante Artem Dzyuba, outro suplente, que entrou no lugar de Fedor Smolov por opção do técnico Stanislav Cherchesov, anotou o terceiro.

Já nos acréscimos do segundo tempo, Cheryshev voltou a balançar as redes e fez o quarto da Rússia. Poucos instantes depois, o meia Aleksandr Golovin deu números finais ao duelo, em bela cobrança de falta.

A Rússia não vencia um compromisso oficial desde 7 de outubro do ano passado, quando bateu a Coreia do Sul por 4 a 2 em amistoso. A incômoda sequência provocou críticas entre torcedores e analistas. A resposta foi a criação de uma campanha, promovida por celebridades locais, chamada "O Bigode da Esperança", em referência ao treinador.

Amanhã, Egito e Uruguai encerrarão a primeira rodada do grupo A, no Estádio Central, na cidade de Ecaterimburgo. Depois disso, os russos voltarão a campo nesta terça-feira, contra os egípcios, em São Petersburgo, e os sauditas duelarão no dia seguinte com os uruguaios, em Rostov.

Hoje, a Rússia veio para a abertura da Copa com mudança importante com relação a seu último amistoso antes do torneio, um empate com a Turquia em 1 a 1. O técnico Stanislav Cherchesov abriu mão da linha de três zagueiros, o que representou a presença do lateral-direito brasileiro Mário Fernandes entre os titulares.

Na Arábia Saudita, a principal surpresa foi a opção do técnico argentino Juan Antonio Pizzi de barrar o atacante Al Muwallad, atacante mais técnico do elenco, optando por Al Sahlawi, que vem sendo criticado por atravessar jejum de nove jogos sem marcar com a camisa da seleção.

Empurrados pela torcida e diante da fragilidade do adversário, os russos foram para cima. Na primeira finalização certa, aos 12, após cruzamento da esquerda de Golovin, Gazinsky subiu nas costas da zaga e testou para o fundo das redes, marcando o primeiro gol do Mundial.

Ignorando a má fase que vinha atravessando e empolgados pela pressão do público e o placar favorável, os anfitriões chegaram mais uma vez aos 15, quando Mário Fernandes recebeu na direita e só rolou para trás, encontrando Dzagoev, que bateu travado. A bola, por muito pouco, não encobriu Al Muaiouf, que se esticou e fez grande defesa.

Os sauditas não se intimidaram e partiram para o ataque, em busca de deixar tudo igual. Aos 20, depois de cochilo de Kutepov, Al Sahlawi se antecipou para testar, mas acabou bloqueado pelo zagueiro, que se recuperou e ajudou a fazer a finalização sair à direita.

Pouco depois do susto, a Rússia sofreu um duro golpe, quando, em contra-ataque, o meia Dzagoev, um dos astros do elenco, sentiu o músculo posterior da coxa esquerda e, desolado, precisou ser substituído, dando lugar a Cheryshev.

Na metade final do primeiro tempo, a tônica do jogo foi a Arábia Saudita mostrando mais técnica com a bola nos pés, mas com muita dificuldade para criar, enquanto os russos erravam muito a partir da intermediária ofensiva.

Aos 43, em contra-ataque fulminante dos donos da casa, a bola veio da esquerda para Smolov, que, da entrada da área, rolou para Cheryshev dar uma linda finta em dois defensores, com toquinho de leve, e fuzilar Al Muaiouf, estudando as redes dos Falcões Verdes.

No segundo tempo, as duas seleções começaram em ritmo mais lento, aparentando terem poucas pretensões. Aos 11, a Arábia Saudita chegou bem quando Al Dawsari acertou cruzamento da direita e achou Al Sahlawi em ótima posição. O camisa 10, no entanto, furou na frente de Akinfeev, e a bola saiu pela linha de fundo.

Os russos só conseguiram uma chegada mais efetiva ao ataque aos 19, quando Golovin cruzou da esquerda, Cheryshev se antecipou ao zagueiro, mas acabou cabeceando sem força, nas mãos de Al Muaiouf. Quatro minutos depois, Zobnin arrancou, invadiu a área e bateu para boa defesa do goleiro.

Aos 25, o técnico Stanislav Cherchesov colocou Dzyuba no lugar de Smolov. Logo no minuto seguinte, o atacante mexeu mais uma vez no placar, ao testar para as redes, sozinho, após bela bola levantada por Golovin da direita.

Na reta final, os russos até tentaram pressionar, em busca do quarto gol, fundamental na prometida briga com Uruguai e Egito por duas das vagas da chave nas oitavas de final. Com a torcida mais contida do que no início da partida, a dificuldade para incendiar o jogo era nítida.

Nos acréscimos, em nova assistência de Golovin, Cheryshev recebeu, se livrou da marcação e bateu com categoria para fazer o quarto. O camisa 17, depois de dar show como garçom, foi responsável por dar números finais ao duelo, em bela cobrança de falta que deu esperanças à torcida russa de um destino melhor que o esperado para a seleção da casa no torneio.

Ficha técnica:.

Rússia: Akinfeev; Mário Fernandes, Kutepov, Ignashevich e Zhirkov; Gazinsky, Zobnin, Samedov (Kuziyaev), Dzagoev (Cheryshev) e Golovin; Smolov (Dzyuba). Técnico: Stanislav Cherchesov.

Arábia Saudita: Al Muaiouf; Al Burayk, Osama Hawsawi, Omar Hawsawi e Al Shahrani; Al Faraj, Al Dawsari, Otayf (Al Muwallad), Aljassam e Al Shehri (Bahbir); Al Sahlawi (Asiri). Técnico: Juan Antonio Pizzi.

Árbitro: Néstor Pitana (Argentina), auxiliado pelos compatriotas Hernán Maidana e Juan Pablo Belatti.

Gols: Gazinsky, Cheryshev (2), Dzyuba e Golovin (Rússia).

Cartões amarelos: Golovin (Rússia); e Aljassam (Arábia Saudita).

Estádio Luzhniki, em Moscou (Rússia).