EFETóquio

Os advogados do ex-presidente da Nissan Motor, o brasileiro Carlos Ghosn, denunciaram nesta segunda-feira que ele está sendo monitorado "persistentemente" toda vez que sai de casa, algo que consideram um ato de "assédio psicológico".

Ghosn, que foi preso há quase um ano em Tóquio sob a acusação de vários crimes econômicos relacionados à sua gestão da montadora, foi libertado no mês de abril sob fiança com uma série de condições impostas pelo juiz.

Essas condições restringem seus contatos com parentes e ex-companheiros da Nissan, mas permitem que ele saia de casa e, de acordo com o chefe da equipe jurídica que o defende, Junichiro Hironaka, visite sua empresa "quase diariamente" e tenha acesso a um computador para verificar as informações, registros judiciais e informações diversas.

"O problema é que há alguém a bordo de carros e motocicletas que o segue persistentemente quando ele sai de casa e estamos procurando o que fazer com isso", disse o advogado.

Hironaka não quis apontar quem seria o responsável e evitou dar mais detalhes. Porém, disse que não acha que se trate de jornalistas.

"Eu diria que é assédio psicológico", disse o advogado.

Ghosn começará a ser julgado a partir de abril de 2020. Ele enfrenta quatro acusações, duas por suposta ocultação de compensação financeira acordada pelo executivo com a Nissan e outras duas por suposto abuso de confiança agravado pela empresa ou por desviar fundos da montadora para assuntos pessoais.

A equipa jurídica do brasileiro defende sua inocência e, no mês passado, apresentou um recurso acusando a acusação de "conduta ilegal", pedindo que as acusações contra ele fossem julgadas improcedentes por falta de provas.

Agora os advogados aguardam a resposta da Justiça sobre esse recurso.