EFERangun (Mianmar)

A líder deposta de Mianmar, Aung San Suu Kyi, está sendo julgada por vários crimes, sem chance de defesa, conforme revelou nesta quarta-feira à Agência Efe o advogado da ré, em um processo que foi classificado como "secreto", iniciado em 1º de fevereiro, quando ela foi presa durante golpe de Estado.

"Não me permitem entrar no tribunal porque não me reconheceram como defensor da senhora Suu. Dessa forma, ela não conta com uma defesa formal", disse o advogado da Prêmio Nobel da Paz, Khin Maung Zaw.

Suu Kyi está em prisão domiciliar desde o levante militar, depois de ter sido acusada pela importação de um aparelho telefônico. Ontem, além disso, ainda foi apontada como responsável por um delito relacionado com a lei de desastres naturais local.

A líder deposta, cujo partido venceu as eleições no fim do ano passado, participou da audiência, que durou cerca de uma hora, por meio de videoconferência, em um tribunal da capital de Mianmar, Naipidau.

A próxima sessão, que será a segunda do processo, deverá acontecer em duas semanas, conforme explicou o advogado de Suu Kyi à Agência Efe.

Khin Maung Zaw, inclusive, revelou que o juiz que ficou responsável pelo caso da líder deposta "acaba de ser nomeado".

ONU CONDENA.

O relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Situação dos Direitos Humanos de Mianmar, Tom Andrews, foi o responsável por classificar a audiência de Suu Kyi como um "julgamento secreto".

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, por sua vez, afirmou que as acusações contra a líder deposta foram "fabricadas" pelos militares e que são uma "clara violação" aos direitos humanos.

Suu Kyi, que tem 75 anos e passou 15 presos durante o governo militar anterior, pode pegar até mais três anos de detenção, por causa do crime de importação ilegal. Já sobre a nova acusação feita ontem, ainda não há informações sobre a natureza da eventual pena.