EFEBagdá

A maior autoridade religiosa xiita do Iraque, o aiatolá Ali al Sistani, de 89 anos, conhecido pela postura moderada e conciliadora, fraturou o quadril e precisou ser operado nesta quinta-feira.

"Vossa Excelência torceu a perna esquerda ontem (quarta-feira) à noite e sofreu uma fratura no quadril. Ele será submetido a uma cirurgia sob a supervisão de uma equipe médica iraquiana", anunciou o site de Sistani.

Após várias horas sem notícias do aiatolá, que nasceu no Irã, os iraquianos começaram a especular nas redes sociais sobre a possível morte de Sistani.

No entanto, quando a agência estatal iraquiana "INA" anunciou que "a operação foi um sucesso" e que o líder religioso estava em "boas condições", as autoridades do país comemoraram a notícia.

Até mesmo o primeiro-ministro em exercício Adil Abdul-Mahdi, que renunciou em 29 de novembro a pedido do próprio Sistani, escreveu nas redes sociais que recebeu a notícia da fratura com "profunda preocupação" e ligou para o aiatolá para saber mais informações.

O governo de Abdul-Mahdi foi classificado por Sistani como "incompetente" por não atender às exigências dos manifestantes que protestam nas ruas do país desde 1º de outubro do ano passado.

O aiatolá, venerado pela maioria da população xiita do Iraque e altamente respeitado pelas autoridades, sempre esteve ao lado do povo durante os protestos e pediu o alívio da tensão entre Estados Unidos e Irã, mesmo quando os americanos assassinaram o poderoso comandante iraniano Qasem Soleimani no dia 3 de janeiro em Bagdá.

Embora tenha tachado a operação americana de "violação flagrante da soberania iraquiana e dos tratados internacionais", ele também pediu moderação e "sabedoria" durante um de seus sermões semanais, que geralmente são lidos por seu porta-voz.

"Ficamos muito felizes ao receber a notícia de que a operação de Vossa Excelência foi um sucesso. O eterno papel estabilizador do senhor Sistani vai além do admirável", publicou a página no Facebook da Embaixada dos EUA no Iraque.