EFESan José

Dirigentes da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi) e do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) pediram que os países da América Latina harmonizem as regras para facilitar o comércio intrarregional de alimentos e gerar oportunidades para os pequenos e médios produtores.

No fórum "Convergência regulamentar no setor alimentar", organizado pelas duas entidades e realizado nesta quinta-feira, os participantes enfatizaram a necessidade de remover os obstáculos ao comércio intraregional e internacional de alimentos, a fim de promover uma recuperação mais rápida e eficaz dos países em relação à pandemia de covid-19.

"Devemos empreender um processo ativo para adaptar os requisitos regulatórios locais a fim de reduzir os custos do comércio transnacional, sem perder a capacidade regulatória dos países", disse o secretário-geral da Aladi, o uruguaio Sergio Abreu.

A Aladi é o maior grupo de integração latino-americana, com 13 países membros: Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, México, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.

Abreu citou estatísticas do IICA que mostram que a América Latina responde por 14% do comércio internacional mundial de produtos agroalimentares. Dessas exportações, 86% estão concentradas em países fora da região, e 51% em apenas dez produtos.

"Devemos diversificar nossa produção agroalimentar e o destino de nossas exportações a fim de contribuir para a produção agrícola sustentável de alimentos cada vez mais saudáveis. Para isso, devemos trocar experiências e boas práticas regulatórias", afirmou Abreu.

O subdiretor-geral do IICA, Lloyd Day, ressaltou que "o comércio internacional é fundamental para fortalecer e transformar os sistemas alimentares" e enfatizou que esta foi a mensagem que os ministros da Agricultura das Américas levaram à recente Cúpula das Nações Unidas sobre Sistemas Alimentares.

Day explicou que o comércio agroalimentar latino-americano desempenha um papel estratégico na segurança alimentar mundial e na recuperação econômica pós-covid-19.

Ele acrescentou que apenas 14% das exportações agroalimentares da América Latina e do Caribe são destinadas aos próprios países da região, e pediu que as barreiras sejam reduzidas.

"Podemos melhorar o comércio intrarregional, e uma maneira é promover a convergência regulatória. No IICA, estamos trabalhando para fortalecer as capacidades dos ministérios da agricultura nas questões de política comercial agrícola, bem como nas capacidades de exportação", disse.

No fórum, os especialistas recomendaram a criação de uma rede de laboratórios para o diagnóstico de doenças, pragas e a determinação de resíduos fitossanitários e veterinários; a criação de um centro regional de avaliação de riscos sanitários; o reconhecimento mútuo dos sistemas nacionais de registro de produtos veterinários e fitossanitários e a normalização dos registros nacionais de produtos alimentícios processados, entre outros. EFE