EFEBuenos Aires

O prazo legal para a formação de alianças para as eleições presidenciais da Argentina se encerra nesta quarta-feira, mas o complexo mapa político do país parece já estar definido após surpreendentes anúncios nos últimos dias.

Enquanto os argentinos ainda digerem a decisão do presidente Mauricio Macri de escolher o senador peronista Miguel Ángel Pichetto como companheiro de chapa para tentar a reeleição, as rodas políticas em Buenos Aires foram abaladas com a notícia de outra coalizão pouco esperada entre aqueles que acompanham a corrida pela Casa Rosada.

O também peronista Roberto Lavagna, ministro da Economia entre 2002 e 2005, durante os governos de Eduardo Duhalde e Néstor Kirchner, terá como candidato a vice-presidente o governador da província de Salta, Juan Manuel Urtubey.

"É importante dar uma opção, uma saída aos muitos argentinos que não estão de acordo (com o governo)", disse Urtubey em entrevista à emissora "C5N".

O governador quer, ao lado de Lavagna, ser uma terceira via na disputa que promete se polarizar entre Macri e Alberto Fernández, líder da chapa composta pela ex-presidente Cristina Kirchner, que também surpreendeu o cenário político argentino ao decidir ser candidata a vice.

"Há vida além deles", resumiu Urtubey.

Lavagna será candidato pela coalizão Consenso 19, que ganhou os inesperados apoios do Partido Socialista, que governa a província de Santa Fé, e do Geração para um Encontro Nacional (GEN), legenda de centro liderada pela ex-deputada Margarita Stolbizer, que disputou as eleições presidenciais de 2015.

Urtubey fazia parte do Alternativa Federal, grupo integrado por peronistas desencantados com o kirchnerismo e opositores do governo de Macri. O próprio Pichetto e Sergio Massa, terceiro colocado nas eleições de 2015, também eram membros da dissidência, mas não conseguiram fortalecê-la a ponto de lançar candidato próprio nas primárias deste ano.

Parte do enfraquecimento da Alternativa Federal decorre dos movimentos de Massa, líder da Frente Renovadora e chefe de gabinete de Cristina entre 2008 e 2009, que vem tentando construir uma aliança com os peronistas alinhados ao kirchnerismo para outubro.

Além de garantir o apoio de Pichetto, Macri conseguiu manter a coalizão que o elegeu - a Mudemos - intacta. Seguem ao lado do Proposta Republicana, partido liderado pelo presidente argentino, a Coalizão Cívica e o União Cívica Radical (UCR).

Macri reuniu-se hoje com seu candidato a vice na Quinta de Olivos, residência oficial da presidência da Argentina, nos arredores de Buenos Aires. O encontro também teve a participação de lideranças da UCR.

"Há muito tempo pensávamos que tínhamos que ampliar a base de sustentação política da nossa coalizão", disse o ministro do Interior, Rogelio Frigerio.

O ministro afirmou que Macri obteve de muitos líderes da oposição "compromissos para governabilidade". O principal apoio, claro, veio de Pichetto, que até ontem presidia o maior bloco da oposição no Senado.

Completando o mapa político argentino, a esquerda chegará dividida para a eleição presidencial. Sem conseguir um acordo para se unir em torno de um único nome, o principal candidato do grupo é Nicolás del Caño, que obteve apenas 3,23% dos votos no pleito de 2015.

Encerrado o prazo para as inscrições de alianças nesta quarta-feira, as diferentes coalizões terão até o próximo dia 22 para apresentar as listas de pré-candidatos que disputarão as primárias, de voto obrigatório para os argentinos.

A campanha para as primárias começará oficialmente no dia 12 de julho, e a definição dos candidatos que disputarão o pleito de outubro está marcada para ocorrer em 11 de agosto.

Além do novo presidente, os argentinos renovarão parcialmente a composição do Senado e da Câmara dos Deputados.