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A ex-presidente interina boliviana Jeanine Áñez agradeceu ao Parlamento Europeu nesta quinta-feira por ter sido indicada ao Prêmio Sakharov para a Liberdade de Pensamento 2021, o que considera ser um reconhecimento "daqueles que lutam pela liberdade" e pela "pacificação" da Bolívia.

"Para aqueles que lutam pela liberdade, democracia, pacificação da Bolívia, justiça e direitos de todos. Para aqueles que sofrem abusos e perseguições por exercerem a liberdade de consciência e o respeito pela vida. Obrigada", escreveu o perfil de Áñez nas redes sociais, que é administrado por pessoas próximas.

Ao lado de Áñez foi indicado o líder opositor russo Alexei Navalny e um grupo de mulheres afegãs que sofreram represálias por parte dos talibãs.

O site do Parlamento Europeu diz que a Áñez, cuja candidatura foi promovida pelo grupo político Reformistas e Conservadores Europeus, é um "símbolo da repressão dos dissidentes e da privação do devido processo e do Estado de direito na América Latina".

A ex-governante interina está na prisão há sete meses como parte de um processo iniciado contra ela a mando do governo, que a acusa de crimes como conspiração, terrorismo e sedição pelo suposto "golpe de estado" de 2019.

O comunicado também afirma que Áñez "se tornou presidente interina em novembro de 2019, após uma suposta fraude eleitoral por parte do presidente Evo Morales".

"Em novembro de 2020, depois de eleições livres e justas, ocorreu uma transferência pacífica de poder", descreve a indicação.

O governo do presidente Luis Arce e do seu partido, Movimento ao Socialismo (MAS), argumentam que a renúncia de Morales à presidência em 2019 se deveu a um golpe de Estado, enquanto opositores dizem que a crise foi o resultado de uma fraude eleitoral a favor do então presidente nas eleições gerais daquele ano.

Além disso, o governo boliviano insistiu que as investigações sobre a crise de 2019 determinarão "o grau de responsabilidade dos atores nacionais e internacionais", incluindo o representante da União Europeia (UE) na Bolívia durante esses eventos.

A UE sempre rejeitou estas acusações e reiterou que durante a crise de 2019 "ajudou a facilitar reuniões envolvendo atores-chave de todos os partidos políticos, incluindo representantes do MAS, sob a liderança da Igreja Católica e o pedido expresso do governo do presidente Evo Morales".

A cerimônia de entrega do prêmio será realizada em dezembro, durante a sessão plenária parlamentar em Estrasburgo, na França. EFE