EFELa Paz

O presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou neste domingo a convocação de novas eleições após um relatório da Organização dos Estados Americanos (OEA) recomendar a repetição do pleito, que aconteceu em 20 de outubro e no qual ele se elegeu em primeiro turno para um quarto mandato consecutivo.

Em breve pronunciamento, Morales declarou também que as novas eleições serão realizadas com um Tribunal Supremo Eleitoral renovado, em meio às acusações de fraude por parte da oposição em relação à atual composição.

"Decidi convocar novas eleições", afirmou o mandatário no hangar presidencial do aeroporto internacional de El Alto, cidade vizinha da capital La Paz.

O governante estava acompanhado de representantes de movimentos sociais simpatizantes do governo e disse que os consultou antes de tomar a decisão.

Morales ressaltou que concordou com a saída de todos os atuais membros do Tribunal Supremo Eleitoral e disse que o Parlamento boliviano, órgão competente para renovar a corte, iniciará em breve o processo para nomear novos integrantes.

O presidente boliviano destacou que convocou novas eleições para "baixar toda a tensão" e "pacificar a Bolívia".

Os confrontos entre simpatizantes e opositores de Morales desde o dia seguinte ao pleito começaram com as suspeitas de manipulação dos votos e têm saldo de ao menos três mortos e 384 feridos, segundo a Defensoria do Povo da Bolívia.

A OEA aconselhou neste domingo que o processo eleitoral no país deve deve voltar a acontecer "assim que existam novas condições que deem novas garantias para sua realização, entre elas uma nova composição do órgão eleitoral".

"O primeiro turno das eleições ocorrido em 20 de outubro deve ser anulado, e o processo eleitoral deve começar novamente", disse a OEA em comunicado.

"A Secretaria Geral da Organização dos Estados Americanos está acompanhando permanentemente os múltiplos aspectos da situação na Bolívia enquanto, diante das tensões que são vividas no país, solicitou à equipe de auditoria os máximos esforços para antecipar os resultados do relatório em processo de elaboração", acrescenta o texto, que faz menção ao boletim que a OEA produz sobre as circunstâncias em que aconteceram o primeiro turno, que geraram uma onda de violência no país.