EFEWashington

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, chegou a um acordo com o mandatário mexicano, Andrés Manuel López Obrador, para restabelecer a partir da segunda-feira o programa "Permanecer no México", que obriga os solicitantes de asilo a ficar no México enquanto seus casos são analisados nos EUA.

O anúncio foi feito nesta quinta-feira em comunicado divulgado pelo Departamento de Segurança Nacional dos EUA, no qual é detalhado que quando o programa estiver "completamente ativo" os migrantes serão devolvidos ao México em sete portos de entrada ao longo da fronteira.

A gestão de Biden tinha derrubado essa polêmica medida impulsionada pelo ex-presidente Donald Trump, e que foi muito criticada por organizações humanitárias.

No entanto, um juiz federal invalidou a tentativa de Biden de encerrar o programa e ordenou que o governo o retomasse. Desde então os EUA negociaram com o México sobre os parâmetros da reimplementação da medida.

O governo americano disse que trabalhou "de perto" com o mexicano para que haja "refúgios seguros" para os migrantes aos quais são aplicados os Protocolos de Proteção a Migrantes, também conhecidos como "Permanecer no México".

Questionada sobre o assunto em entrevista coletiva diária, a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, afirmou que Biden "continua acreditando" que este programa é "endemicamente falho e impõe um custo humano injustificável".

"Foi por isso que acabamos (com o programa)", disse Psaki, ao ressaltar que o que o governo está fazendo agora é cumprir uma ordem judicial.

Apesar de ter sido obrigado a retomar o programa, a porta-voz frisou que o Departamento de Segurança Nacional fará uma série de alterações para abordar "algumas preocupações humanitárias", sem oferecer mais detalhes.

Os portos de entrada onde o programa será implementado, uma vez em vigor, serão em San Diego e Calexico (Califórnia), além de Nogales (Arizona), e em quatro pontos no Texas: El Paso, Eagle Pass, Laredo, e Brownsville, de acordo com o governo americano.

A gestão de Biden prometeu buscar novas vias para acabar com o programa "Permanecer no México", que segundo organizações de direitos humanos não cumpre as obrigações americanas em matéria de migração e asilo, pois os migrantes enviados ao norte do México podem ser vítimas de tráfico ou sequestrados.

Na prática, os EUA continuam deportando a maioria dos indocumentados que chegam à fronteira sul sem oferecer a oportunidade de solicitar asilo, com base em outra medida conhecida como "Título 42" e a qual o governo justifica com a pandemia de covid-19. EFE