EFEPaul Okolo, Abuja

Os ataques do grupo jihadista Boko Haram aumentaram na Nigéria nas semanas próximas das eleições gerais deste sábado, e a ameaça terrorista paira sobre a realização do pleito no país mais populoso da África.

O atual presidente nigeriano e líder do partido Congresso de Todos os Progressistas (APC), Muhammadu Buhari, tenta a reeleição e terá como principal concorrente o empresário e ex-vice-presidente do país, Atiku Abubakar, do Partido Democrático Popular (PDP).

O ministro da Informação, Lai Mohammed, ressaltou em janeiro que as autoridades contavam com "informações críveis" de que alguns políticos opositores tinham planos para orquestrar ataques generalizados a fim de atrapalhar a votação.

De acordo com ele, integrantes do Boko Haram e outros criminosos foram mobilizados para cometer grandes ataques no norte da Nigéria, mas não revelou os nomes desses políticos opositores, nem deu mais detalhes.

"Antes das eleições na Nigéria neste mês, o Boko Haram aumentou seus ataques no nordeste, e a violência relacionada com as eleições começou a crescer", disse em seu site o instituto de análises International Crisis Group (ICG).

Segundo o instituto, "para evitar uma crise violenta, as forças de segurança devem se manter imparciais, e os políticos devem cumprir suas promessas de fazer uma campanha pacífica e questionar os resultados de maneira legal".

Pelo menos 60 pessoas morreram em um ataque cometido em 28 de janeiro pelo Boko Haram na cidade de Rann, no estado de Borno, o pior em número de vítimas até o momento na região, segundo a Anistia Internacional (AI).

O clima de violência em Rann forçou cerca de 30 mil pessoas a fugir para Camarões, devido aos ataques e ameaças constantes do grupo jihadista.

O Boko Haram causou mais de 20 mil mortes desde seu surgimento, em 2009. O grupo terrorista luta para impor um Estado islâmico na Nigéria, uma nação de quase 200 milhões de habitantes com maioria muçulmana no norte e predomínio cristão no sul.

Além disso, cerca de 2 milhões de pessoas vivem em acampamentos para deslocados pela violência dos fundamentalistas, segundo a ONU.

Buhari chegou ao poder em maio de 2015 e uma das suas primeiras decisões foi uma ofensiva militar contra o Boko Haram em seu reduto no nordeste do país. Depois, chegou a dizer em dezembro daquele ano que a organização insurgente tinha sido "tecnicamente derrotada".

Desde então, o governo insistiu na degradação do grupo terrorista, mas a realidade mostra que os ataques dos jihadistas têm se tornado mais audaciosos e pioraram através de campanhas promovidas separadamente por facções rivais, que têm militares como alvo.

Enquanto o grupo original é dirigido por Abubakar Shekau, uma facção conhecida como Estado Islâmico da Província da África Ocidental (ISWAP) tem como chefe Abu Musab al Barnawi, filho do fundador do Boko Haram, Mohammed Yusuf, assassinado em 2009.

O grupo terrorista - que obteve notoriedade internacional em 2014 quando sequestrou mais de 200 meninas de uma escola em Chibok (Borno) - também aumentou seus ataques antes do pleito de 2015, quando Buhari derrotou o então presidente, Goodluck Jonathan.

Naquela ocasião, as eleições foram adiadas por algumas semanas, de fevereiro a março, que deu tempo para que as forças de segurança garantissem a viabilidade da votação nas regiões afetadas pela violência.

Além do Boko Haram, o país enfrenta outros problemas de segurança, como o conflito na região centro-norte entre pastores nômades armados da etnia fulani e fazendeiros que lutam pelo controle da terra e dos recursos naturais.

Embora a maior parte das ameaças à segurança se concentrem no norte da Nigéria, o sul também enfrenta alguns desafios.

A violência e os sequestros relacionados com as eleições aumentaram no sudoeste, na região do delta do rio Níger e no sudeste.

Além disso, no sudeste, o movimento separatista do Povo Indígena de Biafra (IPOB), classificado como grupo terrorista pelo governo nigeriano, convocou um boicote ao pleito.

Nesse contexto, o exército, que já ampliou a mobilização de tropas nas regiões afetadas pela violência, se prepara para sufocar qualquer distúrbio eventual que possa ocorrer após o anúncio dos resultados eleitorais.