EFEWaldheim García Montoya. Recife (Brasil)

O campeão olímpico no vôlei de praia Bruno Schmidt, admitiu, em entrevista à Agência Efe que a preparação para os Jogos Olímpicos de Tóquio foi afetada pela Covid-19, que o levou a ser internado por cinco dias na UTI de um hospital em Vila Velha, no Espírito Santo.

"Vou voltar gradualmente aos treinos e às minhas atividades normais, mas não vou mentir e eu já disso isso várias vezes: 'realmente, isso afetou muito minha trajetória até os Jogos Olímpicos. Eu não esperava isso", disse o jogador, de 34 anos.

Bruno Schmidt, que junto com Alisson foi medalhista de ouro no Rio de Janeiro, em 2016, explicou que espera o momento em que esteja 100% recuperado, sem qualquer sequela da infecção pelo novo coronavírus.

"Tenho que ter muita paciência agora. Infelizmente, aconteceu comigo em um momento importante, de preparação para os Jogos Olímpicos. Mas, deixo um pouco a posição de atleta e me coloco na de ser humano e cidadão. Sou grato pela recuperação", afirmou Schmidt.

Para evitar sequelas da Covid-19 como a trombose, a embolia pulmonar ou complicações respiratórias, o campeão olímpico admite que prefere dar prioridade à recuperação total da doença, antes de retomar a preparação para os Jogos Olímpicos.

"Graças a Deus, cada vez me sinto mais normal, já me arrisco um pouco. Caminho pela praia e me exercito, sempre acompanhado por médicos, com exames de sangue e eletrocardiogramas", contou.

ATLETAS EM RISCO.

Schmidt garantiu que praticantes de esportes de de alto rendimento, como ele, não estão livres de complicações provocadas pela Covid-19, que já fez quase 270 mil vítimas no Brasil. Ao todo, são pouco mais de 10,19 milhões de casos de infecção no país.

"Em uma semana que passei no hospital, tive uma situação muito complicada, com mais de 60%, 70% do pulmão afetado por uma infecção bacteriana e pela Covid", relatou o jogador de vôlei de praia.

De acordo com Schmidt, além disso, de acordo com os médicos que o atenderam, as exigências dos treinamentos provocaram redução da imunidade do organismo dele.

"É uma coisa muito importante, e acho que fui um pouco negligente, é que quando o atleta treina, pode ter reduzida sua imunidade, apesar do bom condicionamento físico e de um excelente sistema circulatório e cardiovascular", admitiu.

Schmidt relatou que chegou o patógeno "estava incubado" no organismo dele, se aproveitando da queda de imunidade para atacá-lo com mais força.

"Foi uma pneumonia bacteriana atípica, e toda minha família levou um susto. Nunca imaginei que poderia chegar a esse ponto, de uma hospitalização em uma UTI. Por isso, peço a todos que tomem todas as precauções e medidas se segurança, para que, caso sejam infectadas, não tenham a situação agravada", disse.

"OUTRO BRUNO".

Nascido em Brasília, o sobrinho do ex-jogador de basquete Oscar Schmidt, deverá disputar os Jogos Olímpicos com Evandro, a quem destacou por ser um companheiro jovem, "com muita vontade e potencial"

O campeão olímpico em 2016 admitiu que o atleta que irá buscar uma nova medalha de ouro dos Jogos, é completamente daquele que saiu vencedor da arena montada na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.

"Cheguei aos Jogos como primeiro do ranking mundial, cabeça de chave. Agora, sou quatro anos mais velho, passei por lesões, e o ciclo foi interrompido por uma doença que atacou o mundo todo. É outro Bruno", garantiu. EFE

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