EFECidade do Panamá

O Canal do Panamá comemorou nesta quarta-feira a decisão dos Estados Unidos de adiar até dezembro a aplicação de tarifas sobre produtos importados da China.

"O atraso nos dá a possibilidade de começar bem o próximo ano fiscal, que tem início em outubro, e de terminar bem neste ano", afirmou o administrador do Canal do Panamá, Jorge Luis Quijano, em um encontro com jornalistas.

Trump anunciou que aplicaria uma taxa de 10% sobre a importação de US$ 300 bilhões em produtos chineses a partir de 1º de setembro, mas decidiu adia-lá parcialmente para 15 de dezembro. Produtos como computadores, telefones, videogames e brinquedos foram beneficiados, mas as tarifas foram mantidas para outros itens, como lentes de contato, motores de motos ebaterias de íons de lítio.

Segundo Quijano, os meses de setembro e outubro costumam ser os mais movimentados no Canal do Panamá. A maior parte dos navios que cruza a passagem está carregada de produtos chineses que têm como destino abastecer as lojas para o Natal nos Estados Unidos.

"Os últimos navios para o Natal devem estar passando por aqui no mais tardar no fim de outubro", explicou Quijano, que deixará o cargo no próximo dia 4 de setembro.

Alguns analistas indicaram que a decisão de adiar as tarifas reflete a crescente preocupação do governo dos EUA sobre o impacto da guerra comercial na economia americana.

"Há muito movimento de mercadorias para os Estados Unidos. Vendo o que vai e o que vem por aqui, podemos dizer que parece que eles estão exportando menos que a China", disse o administrador do Canal do Panamá, por onde passa 6% do comércio mundial.

Apesar de celebrar o adiamento das tarifas, Quijano afirmou que o canal foi pouco afetado pelas taxas anteriores aplicadas pelo governo de Donald Trump a outros países. A expectativa é fechar o ano fiscal com receita de US$ 2,52 bilhões.

"Não é que o Canal do Panamá tenha perdido dinheiro, mas deixamos de ganhar. Podíamos ter ganhado uns US$ 30 milhões a mais", disse o administrador.

Os EUA, que construíram e administraram o Canal do Panamá até 1999, são o país que mais utiliza a passagem que liga o oceano Atlântico ao Pacífico. O Japão passou a China no segundo lugar do ranking recentemente porque os chineses pararam de comprar gás natural de empresas americanas.