EFEBuenos Aires

O candidato do Movimento ao Socialismo (MAS) à presidência da Bolívia, Luis Arce, anunciou nesta segunda-feira que voltará amanhã ao país para iniciar a campanha para as eleições do dia 3 de maio, apesar de considerar que não há garantias de que o processo será transparente.

"Amanhã estarei na Bolívia, por isso estamos acertando alguns últimos detalhes", afirmou Arce em entrevista coletiva concedida em Buenos Aires, na Argentina, ao lado do ex-presidente Evo Morales, que coordenará a campanha do MAS no pleito.

Para Arce, o anúncio da candidatura da presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez, gera "enormes dúvidas" sobre a transparência do processo eleitoral.

"Hoje não há condições para se fazer uma campanha, temos companheiros de MAS perseguidos, amedrontados, chantageados. Não há liberdade de expressão, a imprensa está censurada", afirmou o candidato.

Por esse motivo, Morales e Arce pediram ajuda da comunidade internacional para acompanhar o processo de votação na Bolívia.

"Vamos pedir que organizações internacionais, países como a Espanha, país que nos garantam a imparcialidade possam participar, não só no momento do voto, mas sim durante todo o processo, desde a inscrição das candidaturas, ver se poderemos fazer a campanha", explicou Arce.

"As condições neste momento não são as melhores para fazer uma campanha eleitoral, mas vamos participar porque somos a única opção que o povo boliviano tem", completou o ex-ministro.

Arce terá David Choquehuanca, ex-ministro das Relações Exteriores do governo de Morales, como companheiro de chapa. Os dois foram escolhidos como candidatos durante uma reunião do MAS realizada no último dia 19 de janeiro.

Morales voltou a afirmar hoje que os dois darão à Bolívia condições de continuar a "revolução democrática e cultural" iniciada durante seu governo.

"É importante dar certeza na economia nacional, não descuidar dos investimentos, e menos ainda das questões trabalhistas e salariais. Essa combinação tem sido importante para ter crescimento", afirmou.

O ex-presidente renunciou ao cargo no dia 10 de novembro do ano passado, pressionado pelas Forças Armadas, e fugiu para o México, onde ficou quase um mês. Depois, viajou para a Argentina e pediu refúgio ao governo de Alberto Fernández.

O Tribunal Supremo Eleitoral da Bolívia convocou novas eleições depois da anulação do pleito realizado no dia 20 de outubro devido a denúncias de fraude por parte da oposição e da Organização de Estados Americanos (OEA).