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Centenas de manifestantes se concentraram nesta quinta-feira no centro do Cairo, a capital do Egito, diante de um forte dispositivo de segurança, para expressarem sua rejeição à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de reconhecer Jerusalém como capital de Israel e de transferir a embaixada americana para esta cidade.

Com cartazes em rejeição a Trump, ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, e ao presidente egípcio Abdul Fatah al Sisi, os manifestantes gritaram palavras de ordem contra Israel, os Estados Unidos e os líderes árabes, e em favor da causa palestina.

"Com o espírito e o sangue, não deixaremos que Jerusalém se vá", "Que caia a América do Norte" e "Os governantes árabes são uns covardes, nós somos a resistência e eles os traidores", foram alguns dos lemas entoados pelos manifestantes nas escadas do Colégio de Jornalistas.

Além disso, um grupo de participantes queimou uma bandeira de Israel como sinal de rejeição à ocupação dos territórios palestinos enquanto mostrava cartazes que diziam: "Jerusalém é árabe, apesar da violência sionista".

"Não tenho nenhum respeito pelos regimes árabes, pelos governantes árabes que deram prioridade para a criação de uma forte relação com o senhor Trump acima de qualquer coisa. Se estes governos fossem fortes, fossem sérios na luta pela causa palestina, o senhor Trump não teria conseguido tomar essa decisão", disse à Agência Efe Khaled Dawoud, secretário-geral do partido opositor Al Dostour.

Dawoud, que qualificou a decisão de Trump de "racista", insistiu que "os líderes árabes são os principais responsáveis pela perda da Palestina e pela perda de Jerusalém Oriental".

O ativista político, que pediu aos países árabes que cortem relações diplomáticas com os Estados Unidos e com qualquer outro país que decida transferir sua embaixada de Tel Aviv para Jerusalém, também enfatizou que a decisão de Washington viola todos os acordos internacionais e resoluções do Conselho de Segurança da ONU.

Vários partidos pequenos de oposição no Egito, entre eles o Al Dostour, pediram o corte das relações diplomáticas com os Estados Unidos e convocaram os egípcios para se manifestarem de forma pacífica hoje e amanhã.