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O ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Antonio Rivas Palacios, fez apelo nesta quinta-feira, em discurso na abertura da IX Conferência Itália-América Latina e Caribe, realizada em Roma, na Itália, pelos três ativistas que fugiram para a Finlândia, após perderem o status de refugiados no Brasil.

"Pedimos aos países irmãos dos continentes americano e europeus que se abstenham de usar mal os instrumentos do Direito Internacional criado para zelar pela integridade e o bem-estar de pessoas em perigo, com a finalidade de proteger as pessoas processadas judicialmente por crimes horrendos que lesaram nossa sociedade e prejudicaram o cidadão de bem", disse o chanceler.

Na última terça-feira, Juan Arrom, Anuncio Martí e Víctor Colman, do extinto Partido Pátria Livre, de esquerda, que são acusados pela Justiça do Paraguai de terem sequestrado Maria Edith Bordón, nora do ex-ministro Enzo Debernardi, em 2002, deixaram Montevidéu na noite de terça-feira em um voo rumo à Finlândia.

Em 2003, os três vieram para o Brasil, acusando a Polícia Nacional de torturá-los para forçar uma confissão do crime e receberam status de refugiados do governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No mês passado, perderam a condição, por decisão do atual chefe de Estado, Jair Bolsonaro.

Antonio Rivas Palacios, no discurso de hoje, não citou os países, mas se dirigiu ao Uruguai e à Finlândia, para onde Arrom, Martí e Colman embarcaram após escala na Espanha. O chanceler lembrou que o Paraguai sempre honrou os compromissos firmados no campo do Direito Internacional.

"Queremos contribuir para fazer nosso mundo mais justo. Assumimos esse compromisso, no entendimento que, sem paz, segurança e justiça, não é possível se concentrar nas outras batalhas que a sociedade deve enfrentar para evoluir a modelos mais justos, mais prósperos e mais inclusivos", disse.