EFEBagdá

O secretário interino de Defesa dos Estados Unidos, Patrick Shanahan, chegou nesta terça-feira a Bagdá em uma visita não anunciada para discutir com o primeiro-ministro do Iraque, Adil Abdel-Mahdi, o futuro das tropas americanas no país, informou hoje a agência de notícias estatal iraquiana "NINA".

O chefe do Pentágono abordará esse tema na presença de comandantes do exército americano, além de integrantes do alto escalão do governo iraquiano, informou a fonte, que não deu mais detalhes.

A visita de Shanahan acontece em um momento de tensão entre Iraque e EUA devido às declarações do presidente americano, Donald Trump, que afirmou que contava com uma base militar no Iraque que serve para observar "um pouco" o Irã.

Essa afirmação foi muito mal recebida pelo governo iraquiano, já que Abdel-Mahdi pediu que Trump retificasse suas palavras e afirmou que "não há bases militares americanas" no território iraquiano e que as tropas americanas realizam trabalhos de capacitação e instrução dentro da coalizão internacional liderada pelos EUA para lutar na Síria e no Iraque contra os jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI).

Atualmente os EUA mantêm cerca de 5.200 soldados no Iraque que se encontram em uma dezena de bases militares.

O presidente do Iraque, Barham Saleh, também contestou o governante americano e indicou que "não permitirá" que os Estados Unidos usem suas tropas destacadas no país para monitorar o Irã.

Para as autoridades americanas, o Irã é uma das maiores ameaças do Oriente Médio e, por isso, no ano passado, Trump anunciou sua saída do acordo nuclear assinado em julho de 2015 pela República Islâmica e o G5+1, que na época era integrado por Rússia, China, Reino Unido, França, Alemanha e Estados Unidos.

O encontro é o primeiro de um alto comandante americano que acontece depois que Trump visitou de surpresa suas tropas no Iraque em dezembro, sem reunir-se com Abdel-Mahdi por "razões de segurança", uma questão que incomodou os líderes iraquianos.

O Iraque é um aliado próximo dos Estados Unidos, mas também mantém boas relações com o Irã, país que financiou as milícias xiitas que participaram da ofensiva contra o EI.

A campanha militar contra os jihadistas no Iraque foi encerrada em dezembro de 2017 e na Síria as tropas curdas e da coalizão internacional encurralaram o EI em uma pequena população na margem oriental do rio Eúfrates, perto da fronteira iraquiana.

Trump também anunciou a saída de suas tropas posicionadas na Síria, mas não estipulou nenhuma data concreta até o momento.

Ontem, Shanahan se reuniu com o presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, em Cabul, em outra visita de surpresa, na qual ambas as partes trataram do processo de paz afegão.