EFESantiago (Chile)

O Parlamento do Chile aprovou nesta terça-feira o adiamento por cinco semanas das eleições constituintes, municipais e regionais previstas para o próximo fim de semana devido ao agravamento da pandemia da Covid-19.

A mudança de data para 15 e 16 de maio foi proposta pelo governo chileno em 29 de março e desde então passou por um árduo processo em ambas as câmaras até ser finalmente aprovada pelo Senado nesta terça.

Mais de 14,7 milhões de chilenos estão convocados a eleger seus representantes municipais e regionais - até agora os governados eram nomeados pelo governo nacional - e os 155 delegados que redigirão uma nova Constituição, um processo iniciado após os protestos de 2019.

O atraso na oficialização do adiamento se deu por diferenças sobre pequenos detalhes eleitorais entre o partido governista e a oposição. Na semana passada, eles enfim concordaram em mover as eleições em troca de maiores restrições de mobilidade no combate à pandemia e um pacote de medidas econômicas para ajudar a classe média nos próximos meses.

Após um debate sem fim e menos de quatro dias antes das eleições, os parlamentares resolveram suspender as campanhas eleitorais até 28 de abril. Os prefeitos que haviam deixado seus cargos para concorrer à reeleição retornarão ao posto até o próximo dia 15.

Os deputados e senadores rejeitaram, entretanto, outros três pontos: a declaração dos dias de votação como feriados, a remissão durante o período de adiamento dos juros bancários para os candidatos que solicitaram empréstimos para realizar a campanha e transporte gratuito para incentivar a participação.

O adiamento também significa que o segundo turno das eleições para governadores será transferido de 9 de maio para 13 de junho, enquanto as primárias presidenciais serão realizadas em 18 de julho.

Com a ocupação hospitalar em 95%, mais de 83% da população confinada e um número recorde de infecções devido à propagação de novas variantes, o Chile está passando pelo pior momento da pandemia, apesar de seu avançado processo de vacinação.

Desde 3 de fevereiro, mais de 7 milhões de pessoas receberam pelo menos uma dose da vacina contra a Covid-19, mais de 4 milhões com as duas injeções. Isso torna o país dos que tem maior porcentagem da população inoculada.

O governo chileno acredita que os primeiros efeitos da vacinação serão sentidos até meados de abril e espera que até nas eleições de maio haja 9,3 milhões de pessoas com pelo menos uma dose. A chamada imunidade do rebanho é esperada até o final de junho.