EFESantiago

O Chile contabilizou 6.882 novos casos de Covid-19 e registrou a segunda-feira com mais infectados desde março, quando o país vivia o flagelo de uma segunda onda da pandemia que levou o sistema de saúde ao limite do colapso.

"A variação de casos novos continua aumentando, hoje temos um aumento nas infecções de 13% em relação aos últimos sete dias", alertou o ministro da Saúde chileno, Enrique Paris.

O saldo total da pandemia já chega a mais de 1,3 milhão de casos e 29,3 mil mortes, após a soma dos 132 óbitos registrados nesta segunda-feira.

Nas últimas 24 horas, a taxa nacional de positividade - número de casos positivos a cada 100 exames realizados - foi de 8,7%, enquanto que na Região Metropolitana, que abriga a capital, foi de 12%.

Há dias, o país vive um aumento nas infecções com números de novos casos semelhantes aos de março e abril, quando as autoridades colocaram em quarentena mais de 90% da população e havia mais de 95% de ocupação hospitalar.

Também foi registrado um aumento no número de pessoas internadas nas UTIs, com 3.142 pacientes em estado crítico, uma das cifras mais altas de toda a crise sanitária, o que significa que há apenas 150 leitos disponíveis em unidades deste tipo em todo o país.

"Dos hospitalizados em unidades de terapia intensiva, 63% não foram vacinados e 86% não completaram o esquema de vacinação", acrescentou Paris.

O Chile não conseguiu conter o avanço do vírus apesar de ter implantado uma das campanhas de vacinação mais bem-sucedidas do mundo: cerca de 8 milhões de pessoas receberam duas doses, o equivalente a 52% de sua população-alvo, enquanto quase 70% foi inoculada com uma dose.

Os especialistas apontam falhas na estratégia de rastreabilidade, bem como uma precipitação do governo em suspender rapidamente as restrições e implementar uma medida como o "passe de mobilidade", que confere maior liberdade aos vacinados.

Esse passe, que entrou em vigor na semana passada, permite que as pessoas que receberam as duas doses da vacina saiam para a rua apesar de estar em quarentena e permite viagens entre regiões, algo proibido há meses.

O país mantém suas fronteiras fechadas, pelo menos até 15 de junho, o toque de recolher das 22h às 17h e o estado de emergência devido à catástrofe há mais de um ano.