EFEPequim

A China não necessita enviar tropas a Hong Kong, já que a polícia local tem meios suficientes para fazer frente aos protestos, mas essa possibilidade não foi descartada caso "a violência e o caos" aumentem, segundo informou nesta quinta-feira um assessor do governo chinês citado pelo jornal de Hong Kong "South China Morning Post".

"Não acredito que necessitamos usar tropas. A polícia de Hong Kong intensificará pouco a pouco suas atuações e os meios para isso ainda não foram esgotados", explicou Shi Yinhong, especialista em relações internacionais da Universidade do Povo e assessor do Conselho de Estado (Executivo).

No entanto, Shi disse que os episódios de violência nos protestos seguirem ocorrendo, "não estaremos longe de alcançar o ponto" para que Pequim decida que suas forças armadas intervirão.

Estas declarações foram publicadas no mesmo dia em que foram fotografados dezenas de veículos militares chineses na cidade de Shenzhen, limítrofe com Hong Kong.

Estes veículos estão em um estádio muito próximo a uma ponte que une a cidade com Hong Kong e provavelmente pertencem à Polícia Armada Popular (PAPF), um corpo policial paramilitar sob o comando direto da Comissão Militar Central, liderada pelo presidente da China, Xi Jinping.

Os veículos de imprensa publicaram na segunda-feira vídeos de tanques e caminhões de transporte de soldados pertencentes à PAPF que se dirigiam a Shenzhen.

O vídeo publicado pela televisão estatal "CGTN" não fazia menção direta a Hong Kong, mas lembravam que a lei chinesa estipula que este corpo "deve participar da resposta a revoltas, distúrbios, graves crimes violentos, ataques terroristas e outros incidentes que prejudiquem a paz social".

Shi indicou que uma intervenção militar direta em Hong Kong poderia danificar ainda mais as relações com os Estados Unidos, muito deterioradas pela guerra comercial.

"À medida que se desenvolve a guerra comercial, a importância de Hong Kong para o sistema financeiro da China está crescendo. Se Pequim intervém com muita firmeza, os Estados Unidos poderiam retirar o status preferencial a Hong Kong", que serve como porta de entrada à China para muitas multinacionais.

O especialista se mostrou contrário aos que acreditam que Pequim perderá a paciência com os protestos em Hong Kong antes da celebração do 70° aniversário da fundação da China, em 1 de outubro. "É um momento importante, mas o governo não é tão ingênuo para pensar que tudo deve estar em paz até lá".

Os protestos em Hong Kong começaram em março frente à iniciativa das autoridades locais de sancionar uma lei de extradição que, segundo os opositores, poderia servir para que dissidentes políticos e setores críticos com o regime comunista fossem levados à China para ser julgados sem garantias.