EFELisboa

Portugal registrou nesta quinta-feira um novo recorde diário de infecções de covid-19, um total de 56.426 casos positivos, além de 34 mortes, quando faltam apenas dez dias para as eleições legislativas.

A incidência em 14 dias é de 4.490,9 casos por 100.000 habitantes, quase 300 a mais que os dados anteriores, enquanto o índice de risco de transmissão é de 1,11.

O número de internados subiu para 2.004, dos quais 152 estão em unidades de terapia intensiva, um a menos do que na quarta-feira, segundo o boletim divulgado hoje pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

A variante ômicron representa 93% dos casos atualmente detectados no país, segundo o último relatório do Instituto Nacional de Saúde (INSA).

CONFINADOS PODERÃO VOTAR NA ÚLTIMA HORA.

As pessoas que estiverem confinadas em 30 de janeiro, dia das eleições legislativas em Portugal, poderão sair de casa para votar, mas o governo recomendou hoje que exerçam o seu direito na última hora de funcionamento dos colégios eleitorais, entre 18h e 19h.

A decisão foi tomada hoje pelo Conselho de Ministros do governo português, segundo antecipou em coletiva de imprensa a ministra da Administração Interna, Francisca Van Dunem, e depois de um relatório do Ministério Público endossar o direito de voto dos confinados.

Nos últimos dias, os especialistas previram que até dia 30 poderiam haver 400.000 confinados, embora a mídia local hoje aponte que eles podem chegar a 600.000 pessoas.

A dez dias das eleições, Portugal registra atualmente 384.568 casos ativos de covid-19.

Durante a coletiva, Van Dunem lembrou do "comportamento exemplar" dos portugueses, já demonstrado em outras circunstâncias, e pediu que a população continue se vacinando e usando máscaras.

"A segurança vai depender da atitude individual", reforçou a ministra, ao mesmo tempo em que garantiu que será reforçada a proteção das pessoas que passarão pelos colégios eleitorais.

Nesse sentido, lembrou a importância de as pessoas não infectadas votarem no horário anterior, ou seja, entre 8h e 18h.

OS MÉDICOS DISCORDAM.

Logo após a divulgação da decisão do governo, a Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública (ANMSP) emitiu um comunicado contrário à medida e recomendando que os confinados votem em local e hora diferentes dos restantes.

O objetivo, segundo os médicos, é evitar o contato entre pessoas infectadas e não infectadas.

A medida anunciada hoje pelo Executivo português pode levar a "novas dificuldades para o exercício profissional dos médicos de saúde pública", segundo destaca o órgão representativo dos médicos no comunicado.

Portugal está imerso na quinta onda de covid e já ultrapassou o patamar de dois milhões de infecções desde o início da pandemia. EFE