EFEHavana

O Conselho de Estado de Cuba rejuvenesceu com a saída, nesta quinta-feira, de várias personalidades históricas da revolução do principal órgão de governo da ilha, seguindo o que foi estipulado na nova Constituição, aprovada em fevereiro.

O Parlamento, reunido em sessão extraordinária para oficializar a permanência de Miguel Díaz-Canel na presidência e a nomeação de outros funcionários do alto escalão do governo, aprovou por unanimidade as candidaturas ao Conselho de Estado, que agora passa a ter 21 membros, dez a menos do que a composição anterior.

Após a votação, deixaram a instituição Ramiro Valdés, de 87 anos, e Guillermo García Frías, de 90 anos, os únicos nomes da época da revolução liderada por Fidel Castro e Che Guevara que permaneciam no poderoso órgão.

Além disso, saíram o ministro das Forças Armadas, Leopoldo Cintra Frías, de 78 anos, e o primeiro vice-presidente, Salvador Valdés Mesa, de 74 anos.

Com estas mudanças, a média de idade dos membros do Conselho de Estado foi reduzida para 51 anos, de acordo com a política de renovação promovida por Raúl Castro. O ex-presidente cubano, que diminuiu suas aparições públicas desde que deixou o poder, em abril do ano passado, segue no comando do todo-poderoso Partido Comunista.

Na nova composição do Conselho não estão mais o ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, e os vice-presidentes Roberto Morales e Inés María Chapman.

Como novidade, os ocupantes da presidência e da vice-presidência do Parlamento também desempenharão esses cargos no Conselho de Estado.

Os deputados cubanos ratificaram a escolha de Esteban Lazo, de 75 anos, como líder do Parlamento - e portanto do Conselho de Estado - e como vice-presidente, Ana María Mari Machado.

O secretário do Conselho de Estado, Homero Acosta, também passará a desempenhar o mesmo posto na Assembleia.

Dos 18 membros restantes, quatro são novos nomes, escolhidos em representação da sociedade civil oficial cubana.

Entre os novos integrantes do Conselho de Estado está o estudante de Direito e presidente da Federação Estudantil Universitária (FEU), José Ángel Fernández, de 22 anos, o mais jovem da instituição.

A controladora chefe de Havana, Yansi María Bravo, o médico e presidente da Assembleia Municipal de Sancti Spiritus, Alexis Lorente, e o prestigiado historiador Eduardo Torres-Cuevas completam a lista de novos membros.

Rostos conhecidos como Ulises Guilarte, principal líder sindical do país, e Susely Morfa, líder da juventude comunista cubana, permanecem.

A escolha feita hoje no Parlamento da nova cúpula do governo cubano coincide com a nomeação do presidente e do vice-presidente da República, figuras eliminadas em 1976 e recuperadas na nova Constituição.

Segundo o cronograma anunciado pelo presidente Díaz-Canel, o próximo passo é nomear um primeiro-ministro e anunciar a nova composição do Conselho de Ministros ainda neste ano.