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Um coquetel de anticorpos monoclonais para neutralizar o Sars-CoV-2, causador da covid-19, é eficaz contra as variantes do coronavírus, segundo um estudo realizado em cultivos celulares liderado pela Universidade de Washington, nos Estados Unidos, e publicado pela revista "Nature Medicine" nesta sexta-feira.

Os pesquisadores determinaram, em estudos de cultivo celular, a capacidade destes anticorpos monoclonais, assim como anticorpos isolados do "plasma convalescente", de neutralizar variantes do vírus que surgiram no Reino Unido, África do Sul e no Brasil.

A maioria dos anticorpos monoclonais que foram desenvolvidos para combater a covid-19 mostraram uma "diminuição da potência neutralizante", especialmente contra cepas com uma mutação específica na posição 484 da proteína spike (S), que o vírus utiliza para entrar nas células.

No entanto, alguns coquetéis de anticorpos monoclonais altamente neutralizantes mostraram "atividade intacta ou apenas ligeiramente diminuída" contra as variantes, explicou em comunicado o Vanderbilt University Medical Center, que criou alguns desses anticorpos.

Os especialistas acreditam que este resultado pode se dever ao fato de que estes anticorpos visam outros locais na proteína S "que não o resíduo E484K altamente mutável".

O diretor da entidade, James Crowe, explicou que foram escolhidos dois anticorpos para criar uma mistura que resistisse especificamente à fuga do Sars-CoV-2.

Crowe considera que este trabalho e outros recentemente publicados demonstram que a proteção mediada pelos anticorpos que desenvolveram e agora estão em seis ensaios clínicos de fase 3 "deve ser ampliada a todas as variantes atuais de interesse".

Os anticorpos do Vanderbilt University Medical Center descritos no artigo - COV2-2196 e COV2-2130 - foram isolados do sangue de um casal de Wuhan, na China, diagnosticado com covid-19 após viajar para Toronto em janeiro de 2020. EFE

cr/vnm