EFEHavana

O embargo financeiro e comercial que os Estados Unidos impõem a Cuba há quase seis décadas causou no ano passado US$ 9,157 bilhões de perdas ao país caribenho, segundo cálculos de seu governo divulgados nesta quinta-feira pelo chanceler Bruno Rodríguez em sua conta no Twitter.

Esta é a maior cifra publicada até agora pelas autoridades cubanas, que divulgam esses dados anualmente, superando em muito o recorde anterior, de US$ 5,57 bilhões em 2019.

O cálculo faz parte de um relatório que o Executivo cubano prepara anualmente e apresentará às Nações Unidas na próxima quarta-feira.

O chanceler cubano assegurou que o prejuízo econômico totaliza US$ 147,853 bilhões, desde que em 1962 o presidente John F. Kennedy aplicou o embargo a Cuba em resposta à nacionalização de propriedades americanas na ilha nos primeiros anos do governo de Fidel Castro.

"Os danos humanos, sofrimentos e carências causadas às famílias cubanas são incalculáveis", lamentou o chanceler em seu tweet.

A publicação do número recorde para 2020 encerra uma intensa campanha do Executivo cubano para denunciar o embargo, endurecido pelo ex-presidente Donald Trump com novas sanções durante seu mandato de quatro anos.

Na tentativa de sufocar a economia de Cuba, Trump estabeleceu medidas para dificultar ainda mais suas transações econômicas e a chegada de turistas americanos.

Como ponto culminante dessa ofensiva sancionatória, em janeiro deste ano os Estados Unidos incluíram o país caribenho na lista dos patrocinadores do terrorismo.

O documento sobre as perdas geradas pelo embargo é a base do projeto de resolução que Cuba apresenta anualmente à Assembleia Geral da ONU desde 1992 para pedir o fim da medida unilateral dos EUA.

A iniciativa, que é colocada em votação todos os anos no parlamento das Nações Unidas, geralmente recebe o apoio da maioria dos países-membros, com as exceções usuais de EUA e Israel.