EFEBogotá

A Defensoria do Povo, órgão ligado ao Ministério Público da Colômbia, recebeu um relatório que informa que 42 pessoas morreram durante os protestos contra o governo do país, que já duram 14 dias.

No mesmo documento é revelado que 168 pessoas dadas como desaparecidas nessas manifestações ainda não foram encontradas.

Das 42 mortes de que a Defensoria tem conhecimento, 41 correspondem a civis, e a outra a um policial.

Na última sexta-feira, a Procuradoria Geral e a Defensoria confirmaram a morte de 27 pessoas durante os protestos, sendo que 11 casos estavam diretamente ligados às manifestações, sete "em verificação" e nove sem relação.

Em meio a uma das piores crises sociais e políticas que o país viveu, várias ONGs colombianas lançaram hoje um apelo de ajuda à comunidade internacional e denunciaram os excessos cometidos pelas forças de segurança desde 28 de abril, quando os protestos começaram.

De acordo com os registros da ONG Temblores, durante os protestos houve 40 casos de vítimas de "violência homicida" pelas forças de segurança, e ao menos 1.956 casos de violência física, além de 12 de violência sexual.

Diante destas alegações, o alto comissário do país para a paz, Miguel Ceballos, declarou nesta terça que "haverá tolerância zero para qualquer violação da Constituição e da lei" por "funcionários públicos e também pelas forças de segurança".

Ele também anunciou que o governo está disposto a iniciar um ciclo de conversas permanentes com o Comitê Nacional de Greve, o principal organizador das mobilizações, após uma primeira reunião, realizada ontem, que terminou sem acordos - segundo os porta-vozes dos protestos, porque "não houve empatia do governo".

MORTES DE CIVIS E POLICIAL.

Vários policiais foram acusados pela morte de algumas das vítimas, algo que o governo prometeu investigar de maneira independente para que não haja impunidade.

A corregedoria da Polícia Nacional abriu 62 investigações disciplinares, e três agentes foram presos por ligação com a morte de dois jovens baleados durante protestos pacíficos. Já a Procuradoria Geral da República processará oficiais pelos assassinatos de outros três civis.

Por outro lado, durante os protestos na cidade de Soacha, vizinha de Bogotá, o capitão policial Jesús Alberto Solano foi esfaqueado até a morte por criminosos.

Também houve assassinatos supostamente cometidos por civis contrários aos protestos, como o que vitimou Lucas Villa. O estudante, de 37 anos, que levou oito tiros em uma manifetação pacífica na semana passada na cidade de Pereira, morreu nesta terça-feira.