EFENova York

A diretora municipal de Saúde de Nova York, Oxiris Barbot, renunciou ao cargo nesta terça-feira, após quase cinco meses à frente do setor mais afetado pela pandemia de Covid-19 nos Estados Unidos e em meio a tensões com o prefeito da cidade, Bill de Blasio, que imediatamente nomeou um substituto.

Barbot informou o prefeito sobre a demissão pela manhã e expressou "profundo desapontamento pelo fato de, na mais crítica crise de saúde pública das nossas vidas, o incomparável conhecimento do Departamento de Saúde em termos de controle de doenças não ter sido utilizado na medida do possível", de acordo com um e-mail reproduzido pelo jornal "The New York Times".

"Os nossos especialistas são reconhecidos em todo o mundo pelo seu trabalho em epidemiologia, vigilância e resposta. A cidade seria bem servida se fossem colocados no centro estratégico da resposta, e não em segundo plano", acrescentou.

O Departamento de Saúde havia expressado mal-estar pelo fato de o "exército de rastreadores" contratados pela prefeitura para controlar os contágios ter sido gerido pelo sistema de hospitais públicos, que não têm experiência no assunto, e não pelos especialistas, que trabalharam anteriormente no controle da tuberculose, do HIV e do ebola.

Em carta enviada ao departamento, Barbot disse aos peritos que eles têm sido "o farol que tem guiado a cidade" através da maior parte da pandemia e observou que, "para combater com sucesso a inevitável segunda onda" de Covid-19, o talento deles "deve ser melhor aproveitado.

Bill De Blasio nomeou para a vaga Dave Chokshi, um médico de atendimento primário que tem feito parte da equipe de resposta à pandemia e que nos últimos seis anos ocupou posições de liderança em agências de saúde locais, estatais e federais, incluindo o sistema de hospitais públicos de Nova York.

Ao fazer o anúncio, durante a entrevista coletiva diária, o prefeito reconheceu que estava "na hora de mudanças" na agência porque existirão grandes "desafios nos próximos meses" nos cuidados de saúde e a cidade "precisa de um líder que possa" enfrentá-los.

"Recebi a carta da diretora Barbot. Chegou o momento de criar uma nova abordagem para onde precisamos chegar. Em um ambiente de crise, temos de continuar refinando, aprendendo com a experiência, e temos de colocar a melhor equipe não só para hoje, mas para onde vamos. Estava claro para mim que o doutor Chokshi era o tipo de líder de que precisávamos", anunciou.

Embora Nova York não seja mais o estado com o maior número de contágios, continua a liderar na quantidade de mortos nos Estados Unidos, com 32.719 óbitos relacionados à Covid-19. Só na cidade de Nova York, 23.550 pessoas morreram desde o início da pandemia, enquanto 416.843 foram contafiadas.