EFEAncara

A maioria dos partidos do Parlamento e dos veículos da imprensa da Turquia expressaram apoio à operação do Exército na Síria, em meio a um ambiente de censura no qual 21 pessoas foram detidas e 50, inclusive cinco deputados da oposição, estão sendo investigadas por criticarem a ofensiva.

Grande parte dos principais jornais e emissoras do país, normalmente fiéis às palavras de ordem do governo islâmico turco, defenderam a operação "Fonte de Paz", cujo objetivo oficial é expulsar da fronteira turca as milícias curdo-sírias que Ancara considera terroristas.

"Pela pátria", "Grande operação pela paz" e "A nação turca está com vocês" são algumas das manchetes dos maiores jornais do país, um entusiasmo patriótico que também pode ser visto nas redes sociais.

As autoridades anunciaram que 21 pessoas foram detidas e outras 50 estão sendo investigadas por disseminação de "propaganda" e "mentiras" por terem criticado a operação em comentários nas redes.

O líder e cinco deputados do Partido Democrático dos Povos (HDP), o partido esquerdista e pró-curdo da Turquia, são acusados de apoiarem uma organização terrorista por terem definido a operação militar como "invasão".

Esse é o único partido do Parlamento que criticou sem reservas o ataque contra as Unidades de Proteção do Povo (YPG), a milícia curdo-síria que foi apoiada pelos Estados Unidos na luta contra o grupo jihadista Estado Islâmico, mas que o governo turco considera terrorista devido aos vínculos com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), a guerrilha curda que opera na Turquia.

O Partido Republicano do Povo (CHP), o principal da oposição, apoiou em geral a operação, mas demonstrou preocupação com as possíveis consequências geradas a médio e longo prazo.

"Rezamos para que nossos heroicos soldados retornem para casa sãos e salvos depois de cumprirem com sucesso a operação Fonte de Paz", manifestou na quarta-feira o presidente do partido, Kemal Kilicdaroglu.

Quem se mostrou mais cético foi Ekrem Imamoglu, prefeito de Istambul e uma das estrelas do partido, que apoiou os soldados e a necessidade da Turquia de "se sintir segura", mas questionou se o país "está sendo arrastado ao caos".

"A sociedade não está plenamente informada. Há muitas incertezas. Não sou um especialista e não tenho muita informação, mas estou preocupado", declarou Imamoglu ao jornal "Hürriyet".

Antes do início da operação militar, a liderança do CHP tinha denunciado a política do governo na Síria, mas não deve se opor abertamente à invasão, embora possa fazer certas críticas.

O jornal "BirGün" informou nesta quinta-feira que o diretor da edição online, Hakan Demir, foi detido em casa "supostamente por uma matéria na internet" sobre a operação militar na qual se destacava a postura do HDP.