EFEParis

Há seis anos, Ghadir Nawfal não tem notícias do marido, Firas al-Haj Saleh, que desapareceu na cidade de Raqqa (Síria), e diante deste cenário, se uniu a um grupo de parentes de vítimas do Estado Islâmico na Holanda, país onde reside atualmente.

Firas era ativista e revolucionário civil. De acordo com Ghadir, tinha uma "grande influência em seu entorno" e era uma "personalidade pública que promovia uma revolução contra o EI".

Firas já havia sido preso em duas ocasiões, em 2011 e em 2012, e depois foi demitido do emprego por causa da "rebeldia" que representava para o califado.

Mesmo diante deste cenário, seguiu com as manifestações, o que lhe renderam uma nova ameaça em 2013: sair da cidade ou ser sequestrado.

Neste momento, Firas rejeitou deixar a cidade onde nasceu e decidiu ignorar a ameaça. Cinco dias depois, quando caminhava em direção à sua casa com um amigo durante a noite, um carro parou e homens encapuzados o sequestraram.

"Sabemos o que aconteceu porque o amigo dele veio imediatamente nos contar", disse ela.

Em várias oportunidades, o Estado Islâmico negou que o marido de Ghadir estivesse em poder do grupo, mas depois diante de sua insistência, recebeu uma resposta que lhe causou arrepios. "Esqueça o caso, volte ao normal, porque ele foi liquidado".

Uma resposta que, como contou, foi dada para 90% dos familiares de desaparecidos.

"Não levamos essa notícia a sério. Não temos provas de que foram mortos. Eles só querem que a gente deixe de insistir", afirmou Ghadir.

A coalizão contra o califado islamita e as Forças Democráticas da Síria (FDS) anunciaram no final de março que "a organização criminosa tinha saído completamente das zonas ocupadas" do país. No entanto, a incerteza persiste entre os parentes, que recebem informações desencontradas sobre os desaparecidos.

Esta aliança formada pelas famílias, segundo a organização Human Rights Watch, servirá como base de dados sobre pessoas desaparecidas e auxiliará as autoridades da Síria a encontrar corpos nas valas comuns que foram descobertas.

"Nosso objetivo é saber o estado de nossos familiares. Se estão vivos, é nosso direito saber onde eles estão para reencontrá-los; se estão mortos, onde estão os corpos?", disse Ghadir.

Estas famílias, que atualmente residem na Europa, decidiram, então, se mobilizar para pedir respostas aos países-membros da coalizão internacional e fazer valer o direito de conhecer o destino de seus entes queridos.

De acordo com a Syrian Network for Human Rights (Rede Síria para os Direitos Humanos), 8.143 pessoas detidas pelo Estado Islâmico ainda estão em paradeiro desconhecido.