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O navio da ONG espanhola Open Arms, com 147 migrantes a bordo, já está nesta quinta-feira em águas italianas, precisamente diante da ilha de Lampedusa, depois que a justiça da Itália cancelou ontem a proibição imposta pelo ministro do Interior, Matteo Salvini.

"Avistamos terra. Lampedusa. Com o decreto de Salvini suspenso, estamos em águas da Itália com autorização. Ainda sem porto, mas o fim deste pesadelo está mais perto. A humanidade tem que prevalecer. #PuertoSeguroYa", escreveu a organização nas redes sociais.

A embarcação permanecerá em águas territoriais até que as autoridades italianas autorizem o desembarque em algum porto, algo que Salvini já deixou claro que não fará.

"Sigo e seguirei negando o desembarque aos que pretendem levar clandestinos à Itália", disse na quarta-feira o líder da ultradireitista Liga.

O navio da Open Arms está desde 1 de agosto esperando no Mar Mediterrâneo a autorização de algum país europeu sobre um porto para atracar e ontem a Justiça italiana aceitou um recurso apresentado pela organização e permitiu entrar em águas italianas, pela situação "de evidente dificuldade" na qual se encontra.

O Tribunal Administrativo Regional (TAR) do Lácio explicou que "a situação de gravidade e urgência excepcional" justifica a permissão, neste momento, da entrada em águas territoriais italianas "para que as pessoas resgatadas que necessitam recebam assistência médica".

A decisão judicial não agradou o ministro italiano do Interior, que respondeu que apresentaria um recurso urgente diante do Conselho de Estado e que assinaria uma nova proibição para impedir que a embarcação entrasse em águas territoriais da Itália.

Salvini assinou esta proibição durante a madrugada, ao invés da ministra de Defesa, Elisabetta Trenta, do Movimento Cinco Estrelas (M5S), segundo fontes do ministério do Interior italiano.

"A ministra Elisabetta Trenta não assinou a proibição de ingresso nas águas territoriais para Open Arms. A decisão não surpreende, dado que a titular de Defesa ordenou à Marinha Militar que escolte até o nosso país a embarcação espanhola", disseram as fontes.

Este episódio evidencia mais uma vez a crise de Governo aberta no país, depois que a Liga retirou sua confiança na aliança que mantinha com o M5S e apresentou uma moção de censura contra o primeiro-ministro, Giuseppe Conte.