EFEQuito

O governo do Equador anunciou, nesta quinta-feira, que decidiu retirar, de forma imediata, a segurança adicional na sua embaixada em Londres, onde se encontra o fundador do WikiLeaks, Julian Assange.

Em um curto comunicado oficial, a Secretaria Nacional de Comunicação (Secom) informou que o presidente Lenín Moreno ordenou que "qualquer segurança adicional da embaixada seja retirada imediatamente" na capital inglesa.

De agora em diante, essa legação diplomática "manterá a proteção normal, semelhante ao resto das embaixadas equatorianas no mundo", disse a Secom.

A medida foi anunciada poucos dias depois que o jornal britânico "The Guardian" publicou uma informação dizendo que o governo equatoriano teria investido pelo menos US$ 5 milhões em uma "operação de espionagem" para "proteger" Assange, refugiado desde 2012 na embaixada do país em Londres.

A ministra das Relações Exteriores equatoriana, María Fernanda Espinosa, afirmou na última quarta-feira, em Moscou, que "teria que verificar e confirmar" se o governo anterior de seu país gastou milhões de dólares na suposta operação de espionagem para proteger o ativista australiano.

"Entendo que se refere a informação - entre 2011 e 2013 - que coincide com um período do governo anterior liderado pelo esquerdista Rafael Correa", afirmou María Fernanda, em entrevista coletiva em Moscou, depois de se reunir com o chanceler russo, Sergey Lavrov.

"Eu não tenho mais nada a fornecer", disse a ministra, sobre a publicação da imprensa que adverte que o Equador teria contratado uma empresa de segurança e agentes secretos para monitorar os visitantes de Assange na embaixada.

Além disso, as atividades diárias do ativista podem ter sido gravadas, nas quais teriam sido batizadas de "Operation Guest" (Operação Convidado) em um primeiro momento. Mais tarde, o nome mudou para "Operation Hotel" (Operação Hotel).

A investigação do jornal sugeriu que a operação contava com o apoio do presidente equatoriano Rafael Correa, quando Assange se refugiou na embaixada, e do então ministro das Relações Exteriores do país, Ricardo Patiño.

A chanceler equatoriana também confirmou que Assange continua sem ter acesso a Internet na embaixada, depois que o Equador cortou o serviço no final de março, após repetidas demandas para evitar opiniões sobre questões políticas de terceiros países.

A ministra rejeitou que foi devido à pressão do Reino Unido e ressaltou que "é uma decisão soberana do Equador".

"O Equador continua buscando uma saída a situação do senhor Assange, que é uma pessoa internacionalmente protegida. O interesse do nosso país é garantir seu bem-estar e o cumprimento de seus direitos humanos", afirmou, na quarta, a chanceler equatoriana.

Em dezembro do ano passado, o governo do Equador concedeu nacionalidade equatoriana ao fundador do WikiLeaks e e pediu para ele um status diplomático com o objetivo de poder tirar-lo do Reino Unido, mas o Ministério das Relações Exteriores britânico negou a solicitação.