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O presidente do Equador, Lenín Moreno, explicou nesta quinta-feira que Julian Assange teve seu asilo retirado por sua conduta "desrespeitosa" e "agressiva", e acusou o australiano de ter vulnerado aspectos da segurança na embaixada equatoriana em Londres, onde estava desde 2012.

"A conduta desrespeitosa e agressiva do senhor Julian Assange, as declarações grosseiras e ameaçadoras da sua organização aliada contra o Equador e, sobretudo, a transgressão dos convênios internacionais, levaram a situação a um ponto em que o asilo do senhor Assange é insustentável e inviável", disse Moreno.

O presidente equatoriano, em um vídeo institucional transmitido pela televisão em rede nacional e nas redes sociais, especificou que "o Equador, soberanamente, dá por finalizado o asilo diplomático concedido ao senhor Assange em 2012".

Moreno acrescentou que por seis anos e dez meses o povo equatoriano garantiu os direitos humanos de Assange e supriu suas necessidades cotidianas nas instalações da embaixada em Londres.

O presidente ressaltou que seu país cumpriu com suas obrigações no âmbito do direito internacional, mas Assange "violou, reiteradamente, disposições expressas das convenções sobre asilo diplomático de Havana e de Caracas".

Quanto ao comportamento de Assange, Moreno, no poder desde maio de 2017, afirmou que a paciência do Equador "chegou ao seu limite".

"Ele instalou equipamentos eletrônicos e de distorção não permitidas. Bloqueou as câmeras de segurança da missão do Equador em Londres. Agrediu e maltratou guardas da sede diplomática. Acessou sem permissão arquivos de segurança da nossa embaixada", disse o presidente equatoriano.

Além disso, Moreno comentou que enquanto Assange "denuncia estar incomunicável e rejeita a conexão de internet fornecida pela embaixada, possui um telefone celular com o qual se comunica com o exterior".

Sobre o compromisso com o respeito aos direitos humanos e ao direito internacional, o Equador solicitou ao Reino Unido a garantia de que Assange não seria extraditado para um país no qual pode sofrer torturas ou ser condenado à pena de morte, lembrou.

Moreno finalizou seu pronunciamento dizendo que o "WikiLeaks" "ameaçou há dois dias o Governo do Equador", embora não tenha dado mais detalhes.

"Meu governo não tem nada a temer, não atua sob ameaça. O Equador se guia pelos princípios do direito, cumpre as normas internacionais e cuida dos interesses dos equatorianos", concluiu Moreno. EFE

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