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Os autores britânicos Ken Follett, Lee Child, Jojo Moyes e Kate Mosse embarcarão em novembro em uma turnê por Milão, Madri, Berlim e Paris para expressar preocupação com os últimos eventos políticos do Reino Unido e sua rejeição ao Brexit.

Em uma coletiva de imprensa em Londres, os quatro prestigiados escritores revelaram os planos nesta terça-feira e mostraram descontentamento com o atual "debate político" do país e com a saída do bloco.

"Fazemos isto porque estamos preocupados. Sentimos vergonha e desgosto pelos recentes eventos políticos ocorridos no nosso país nos últimos três anos", disse Ken Follett, autor de "Coluna de Fogo" e outros vários títulos traduzidos para mais de 35 idiomas.

Follett, que foi o moderador do ato, disse que, com o Brexit, o Reino Unido deu a impressão aos demais países do continente que os britânicos "não gostam dos outros europeus e não querem ser parte da Europa", um fato que os "envergonha por várias razões".

"Em primeiro lugar, porque somos parte, herdeiros de uma tradição extremamente rica de literatura europeia", afirmou Follett, citando como exemplo o italiano Giuseppe Tomasi di Lampedusa, o francês Victor Hugo e o espanhol Miguel de Cervantes.

Follett ainda lembrou a excelente relação com as editoras que fazem as traduções das obras e disse que "o mais importante" é o vínculo que possui com os leitores de todo o mundo.

"Apreciamos muito o valor da troca de ideias, em particular da literatura (...) e estimamos muito os milhões de leitores que temos nos países vizinhos", ressaltou.

Na turnê pela Europa, os autores planejam fazer apresentações em teatros, onde falarão sobre os trabalhos que desenvolvem, responderão perguntas do público, além de dialogar com outros escritores.

O roteiro começará em Milão, em 17 de novembro. De lá, eles irão a Madri, no dia 19, depois para Berlim, no dia 23, e por fim Paris, no dia 25.

Lee Child, que participou do encontro através do Skype, endossou a visão dos companheiros sobre a "impressão que o Reino Unido está passando" ao resto da Europa.

De acordo com o autor de livros como "O Inimigo", o objetivo da viagem é conhecer escritores e leitores de outros países e enviar "uma pequena mensagem: nem todos (os britânicos) acreditamos em tudo o que está sendo dito".