EFEWashington

O governo dos Estados Unidos reafirmou nesta quinta-feira que "apoia totalmente" a entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), apesar de não ter incluído o respaldo à adesão do país em uma carta enviada à direção da entidade, revelada hoje pela agência "Bloomberg".

"(...) Somos apoiadores entusiastas da entrada do Brasil nesta importante instituição, e os Estados Unidos farão um grande esforço para apoiar a acessão do Brasil", escreveu o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, no Twitter.

Na sequência de mensagens, Pompeo ainda afirmou que uma carta obtida pela "Bloomberg", assinada por ele próprio e enviada ao secretário-geral da OCDE, José Ángel Gurría, "não representava com precisão" a posição dos EUA sobre a ampliação da entidade.

No documento, o governo americano apoiava apenas a adesão de Argentina e Romênia como parte da ampliação da OCDE, não citando o Brasil e outros três países que pleiteam fazer ser membros do bloco, conhecido como "clubes dos países ricos".

Além disso, o presidente dos EUA, Donald Trump, reiterou o apoio à candidatura do Brasil para entrar na OCDE e classificou como "notícia falsa" a matéria da "Bloomberg". Trump, no entanto, não deu um prazo para que isso ocorra e não contestou o conteúdo da carta.

"A declaração conjunta divulgada com o presidente Bolsonaro em março deixa absolutamente claro que eu apoio que o Brasil inicie o processo para se tornar membro pleno da OCDE. Os Estados Unidos apoiam essa declaração e apoiam Jair Bolsonaro. Esse artigo é 'fake news'", disse Trump na rede social.

Fonte do alto escalão da Casa Branca ouvida pela Agência Efe explicou que, apesar de o governo americano priorizar a adesão de Argentina e Romênia, isso não significa um recuo na defesa da inclusão do Brasil na OCDE, uma das principais promessas feitas por Trump ao presidente Jair Bolsonaro durante visita aos EUA em março.

"Apoiamos a ampliação da OCDE e um eventual convite ao Brasil, mas estamos trabalhando primeiro com Argentina e Romênia. Os esforços de reformas econômicas e o compromisso com o livre mercado da Argentina e da Romênia fazem com que esses dois países estejam preparados para um convite da OCDE", disse a fonte, que preferiu manter o anonimato.

Após participar de um fórum econômico em São Paulo, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, minimizou em entrevista à Agência Efe a importância da carta enviada pelo governo dos EUA à OCDE.

"Os Estados Unidos continuam apoiando o Brasil muito fortemente. Simplesmente é uma questão da sequência dos membros. O processo começaria pela Argentina e pela Romênia, coisa que nós já sabíamos, porque são países que já tinham o apoio anteriormente", afirmou Araújo.

"Isso (a carta) não significa nada, nenhum tipo de falta de apoio, exatamente o contrário. O Brasil está pronto para começar, e o processo de adesão não tem um período determinado, por isso o Brasil pode começar o processo um pouco depois e terminar antes", acrescentou.

Perguntado sobre se seria possível que o Brasil seja formalmente convidado para a OCDE no ano que vem, Araújo respondeu: "espero que sim, espero que sim".

A decisão dos EUA de deixarem o Brasil em segundo plano pode afetar os planos do governo do presidente Jair Bolsonaro, que esperava a entrada do país na OCDE "em dois ou três anos".

Trump manifestou apoio à adesão do Brasil em março, durante reunião com Bolsonaro em Washington. O pedido formal do governo brasileiro para ingressar na OCDE foi feito em 2017, durante o mandato de Michel Temer na presidência.

Para conseguir o apoio americano, Bolsonaro se comprometeu a renunciar ao tratamento especial que o Brasil tem nas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) pela condição de país em desenvolvimento. Além disso, concedeu aos EUA a exploração da base espacial de Alcântara, no Maranhão, e autorizou a isenção de vistos para turistas americanos, sem exigir reciprocidade.