EFEWashington

O governo dos Estados Unidos declarou nesta segunda-feira que pensará em uma maneira de permitir que famílias cujos imigrantes foram separados na fronteira sob o mandato do ex-presidente Donald Trump fiquem e vivam legalmente no país se desejarem e financiará serviços legais e de saúde para eles.

O secretário de Segurança Nacional dos EUA, Alejandro Mayorkas, fez o anúncio durante uma entrevista coletiva na Casa Branca. Ele destacou a urgência de resolver a situação de centenas de menores indocumentados que foram separados de seus pais na fronteira durante o mandato de Trump e cujos pais ainda não foram localizados.

"Nossa esperança é reunir as famílias, seja aqui ou em seu país de origem. Estamos confiantes de que podemos dar a eles uma escolha. E se, de fato, eles quiserem se reunir aqui nos Estados Unidos, exploraremos caminhos legais para que eles permaneçam no país", afirmou Mayorkas.

Os advogados de muitas famílias afetadas pela política de tolerância zero em 2017 e 2018 pediram em uma ação judicial que o governo de Joe Biden permita que os pais que foram deportados após terem sido levados de seus filhos retornassem aos EUA para reencontrá-los.

Há um mês, Biden anunciou a criação de uma força-tarefa dedicada a reunir as famílias separadas na fronteira, através de uma política que a justiça suspendeu em junho de 2018 e que afetou mais de 2,5 mil menores.

Em outubro passado, os pais de 545 dos menores afetados pela política ainda não tinham sido localizados, de acordo com um grupo de advogados nomeados por um tribunal federal para os reencontros.

Além de considerar o fornecimento de vias legais para que famílias separadas sejam reunidas nos EUA, a força-tarefa por Biden também cobrirá certos custos de transporte, assistência médica, jurídica e educação para os migrantes afetados, de acordo com o canal "NBC News".

Os irmãos das crianças separadas na fronteira de seus pais também serão considerados para inclusão no plano de reunificação, de acordo com um porta-voz do Departamento de Segurança Nacional citado pela emissora.

A maioria dos imigrantes afetados pela política de separação familiar é procedente de Guatemala, Honduras e El Salvador, com cujos ministros das Relações Exteriores Mayorkas conversou na última sexta-feira.

o chefe da Segurança Interna e Imigração dos EUA também anunciou que o grupo de trabalho para o assunto tem desde sexta uma diretora executiva, Michelle Brané, especialista em direitos de detentos indocumentados e ex-diretora de direitos de migrantes na Comissão de Mulheres Refugiadas.

Embora a chegada de imigrantes indocumentados na fronteira dos EUA com o México tenha dobrado em janeiro, Mayorkas negou haver uma crise na área de fronteira, e lembrou que seu governo continua recusando a entrada a praticamente todos os que chegam sem documentos, devido à pandemia.

"Não estamos dizendo que eles não vêm (requerentes de asilo), estamos dizendo que eles não vêm agora. É preciso tempo para sair das profundezas da crueldade estabelecida pelo governo anterior ao nosso", frisou o secretário, que completou dizendo que a atual administração precisa de tempo para reconstruir praticamente do zero o sistema de imigração, desmontado por Trump.