EFEEstrasburgo (França)

A Eurocâmara renovará com a aprovação de uma nova resolução o reconhecimento de Juan Guaidó, líder da oposição na Venezuela, como presidente interino do país.

"No debate de hoje ratificamos o acordo de reconhecimento de Guaidó como presidente da Assembleia Nacional e presidente interino da Venezuela, assim como a solicitação para sanções pessoais aos responsáveis por aquela tentativa de golpe", afirmou o eurodeputado espanhol Leopoldo López Gil, pai do opositor venezuelano Leopoldo López.

López Gil se referia à eleição para a presidência da Assembleia Nacional ocorria no último dia 5. Guaidó foi impedido de entrar no Palácio Legislativo pelas forças de segurança do governo de Nicolás Maduro enquanto a votação ocorria.

Sem a presença da oposição, dissidentes e chavistas elegeram Luis Parra como novo presidente do parlamento da Venezuela. Ele é acusado por aliados de Guaidó de ter se vendido a Maduro.

Mais tarde, Guaidó foi reeleito presidente da Assembleia Nacional por um grupo de 100 deputados da oposição, em uma sessão paralela realizada na sede do jornal "El Nacional", no leste de Caracas.

O também eurodeputado espanhol Javi López afirmou que o movimento do chavismo para evitar que Guaidó participasse da votação na Assembleia Nacional foi um "vergonhoso golpe parlamentar".

Para ele, a medida afastou o país da necessária solução pacífica e democrática esperada pela população. "Não podemos esquecer que o país está afundado em uma absoluta paralisia política e institucional, sofrendo uma crise humanitária sem precedentes", afirmou.

Na resolução que ainda será aprovada, a Eurocâmara "reconhece e apoia Juan Guaidó como presidente interino da República da Venezuela e a Assembleia Nacional como sua única câmara de representação democrática".

O texto também pedirá respeito aos deputados eleitos para o parlamento e denunciará a "repressão intolerável" por parte do governo de Maduro.

As críticas a Maduro reúnem eurodeputados de diferentes espectros políticos. Hermann Tertsch, eleito pelo Vox, principal partido de extrema direita da Espanha, elogiou o amplo acordo para aprovar a resolução que manterá o reconhecimento a Guaidó.

"Urgem sanções muito mais firmes para todos os envolvidos. Não devem dispor de nem um dólar fora da Venezuela", pediu Tertsch.

Por outro lado, o eurodeputado Manu Pineda, da Esquerda Unida, é contrário à resolução por considerar que Guaidó perdeu o apoio da maioria da Assembleia Nacional da Venezuela.

"Guaidó sabia que não tinha apoio suficiente e por isso, em vez de entrar pela porta como uma pessoa normal, organizou um show ao tentar pular a grade da assembleia. Depois, sendo fiel à tradição golpista, voltou a se autoproclamar presidente, desta vez na redação de um jornal", criticou Pineda.